Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer;
É um não querer mais que bem querer;
É solitário andar por entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É cuidar que se ganha em se perder;
É querer estar preso por vontade;
É servir a quem vence, o vencedor;
É ter com quem nos mata a lealdade.
Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade,
Se tão contrário a si é o mesmo Amor?
SHALL MEMORY RESTORE/ THE STEPS AND THE SHORE/ THE FACE AND THE MEETING PLACE;- H. W. AUDEN
quinta-feira, 12 de agosto de 2010
quinta-feira, 5 de agosto de 2010
ESPARSA AO DESCONCERTO DO MUNDO - Camões
Os bons vi sempre passar
no mundo graves tormentos;
e, para mais me espantar,
os maus vi sempre nadar
em mar de contentamentos.
Cuidando alcançar assim
o bem tão mal ordenado,
fui mau, mas fui castigado:
assim que só para mim
anda o mundo concertado.
no mundo graves tormentos;
e, para mais me espantar,
os maus vi sempre nadar
em mar de contentamentos.
Cuidando alcançar assim
o bem tão mal ordenado,
fui mau, mas fui castigado:
assim que só para mim
anda o mundo concertado.
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Literatura Portuguesa; Camões. Poesia;
segunda-feira, 2 de agosto de 2010
Ismália - Alphonsus de Guimaraens
Quando Ismália enlouqueceu.
pôs-se na torre a sonhar...
Viu uma lua no céu,
viu outra lua no mar.
E no sonho em que se perdeu,
banhou-se toda em luar...
Queria subir ao céu,
queria descer ao mar..
E, no desvario seu,
na torre pôs-se a cantar...
Estava perto do céu,
estava longe do mar...
E como um anjo pendeu
as asas para voar...
Queria a lua do céu,
queria a lua do mar...
E como um anjo pendeu
as asas para voar...
Queria a lua do céu,
queria a lua do mar...
As asas que Deus lhe deu
ruflaram de par em par...
Sua alma subiu ao céu,
seu corpo desceu ao mar...
pôs-se na torre a sonhar...
Viu uma lua no céu,
viu outra lua no mar.
E no sonho em que se perdeu,
banhou-se toda em luar...
Queria subir ao céu,
queria descer ao mar..
E, no desvario seu,
na torre pôs-se a cantar...
Estava perto do céu,
estava longe do mar...
E como um anjo pendeu
as asas para voar...
Queria a lua do céu,
queria a lua do mar...
E como um anjo pendeu
as asas para voar...
Queria a lua do céu,
queria a lua do mar...
As asas que Deus lhe deu
ruflaram de par em par...
Sua alma subiu ao céu,
seu corpo desceu ao mar...
Versos Íntimos - Augusto dos Anjos
Vês! Ninguém assistiu ao formidável
Enterro de tua última quimera.
Somente a Ingratidão - esta pantera -
Foi tua companheira inseparável!
Acostuma-te à lama que te espera!
O Homem, que, nesta terra miserável,
Mora entre feras, sente inevitável
Necessidade de também ser fera.
Toma um fósforo, acende teu cigarro!
O beijo, amigo, é a véspera do escarro,
A mão que te afaga é a mesma que apedreja.
Se a alguém pena inda causa a tua chaga,
Apedreja essa mão vil que te afaga,
Escarra nessa boca que te beija!
Enterro de tua última quimera.
Somente a Ingratidão - esta pantera -
Foi tua companheira inseparável!
Acostuma-te à lama que te espera!
O Homem, que, nesta terra miserável,
Mora entre feras, sente inevitável
Necessidade de também ser fera.
Toma um fósforo, acende teu cigarro!
O beijo, amigo, é a véspera do escarro,
A mão que te afaga é a mesma que apedreja.
Se a alguém pena inda causa a tua chaga,
Apedreja essa mão vil que te afaga,
Escarra nessa boca que te beija!
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