terça-feira, 31 de dezembro de 2013




O Tempo - Carlos Drummond de Andrade

"Quem teve a ideia de cortar o tempo em fatias, 
a que se deu o nome de ano,
foi um individuo genial.

Industrializou a esperança,
fazendo-a funcionar no limite da exaustão.

Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar
e entregar os pontos.

Aí entra o milagre da renovação
e tudo começa outra vez, com outro número
e outra vontade de acreditar
que daqui para diante tudo vai ser diferente.

Para você, desejo o sonho realizado,
o amor esperado,
a esperança renovada.

Para você, desejo todas as cores desta vida,
todas as alegrias que puder sorrir,
todas as músicas que puder emocionar.

Para você, neste novo ano,
desejo que os amigos sejam mais cúmplices,
que sua família seja mais unida,
que sua vida seja mais bem vivida.

Gostaria de lhe desejar tantas coisas...
Mas nada seria suficiente...

Então desejo apenas que você tenha muitos desejos,
desejos grandes.

E que eles possam mover você a cada minuto
ao rumo da sua felicidade."


segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

OS PROBLEMAS QUE AFETAM O ESPAÇO URBANO DE MANAUS




  • By JOSÉ BENEDITO DOS SANTOS
    Todos sabemos que, o espaço urbano de Manaus, há muito tempo apresenta inúmeros problemas, os quais originados da irresponsabilidade dos administradores públicos que preocupam-se muito mais com a discussão dos mecanismos que os fazem continuar no poder do que com os problemas reais que afetam a população e a nossa cidade. A examinarmos alguns dos problemas que afetam o nosso espaço urbano verificaremos que Manaus se apresenta como uma cidade sem calçada, pois os proprietários de estabelecimentos comerciais tomam conta deste espaço que é um dos poucos onde o pedestre pode andar, teoricamente, tranqüilo. Além do mais, vemos, a todo instante que, a cidade é carente de sinalização. Às vezes, ela se faz presente, em um ou outro lugar, em decorrência das reclamações das pessoas e da boa vontade daqueles que dirigem este departamento. Acrescente-se a isso os milhares de buracos existentes na cidade. Os serviços de tapa-buracos nunca dão conta deles. Cobre-se um buraco aqui, surge outro mais adiante. E quando se conserta este, o anterior já se abriu. Em conseqüência disso, os pedestres continuam andando com medo e os motoristas confusos. Não é segredo para ninguém que o serviço de ônibus sempre esteve, continua aquém da demanda de passageiros. O mesmo permanece demorado, em pouca quantidade, com uma frota sucateada, ainda assim, correndo o risco de ser reduzida, pela proposta atual do poder público municipal. Tais problemas contribuem para que o trânsito entre em colapso, caso não haja pressa em corrigir o espaço urbano de Manaus para o escoamento dos veículos. É congestionamento para tudo que é lado. Sofre o motorista, preso em seu carro, sofre o passageiro, confinado nos ônibus. Por tudo isso, só nos resta admitir que a existência de problemas no espaço urbano de Manaus somente agrava o mal-estar da população e afeta a imagem da própria cidade. Fazem-se, portanto, necessárias algumas medidas por parte das autoridades que administram nossa cidade no sentido de devolver a calçada ao pedestre, consertar os buracos das ruas, renovar a frota de veículos pelo bem da circulação dos transportes e das pessoas. Afinal, devemos estabelecer um diálogo afetivo com nossa cidade, Manaus é nossa casa, seja para quem nasceu aqui ou para quem a escolheu para viver.



ESQUEMA BÁSICO DA DISSERTAÇÃO





  • ESQUEMA BÁSICO DA DISSERTAÇÃO


  • TEMA: Chegando ao terceiro milênio, o Brasil ainda não conseguiu erradicar a corrupção que afeta a todos.
    ARGUMENTOS
    1. Existem várias denúncias de corrupção envolvem funcionários do alto escalão do governo.
    2. Os desvios de verbas afetam os investimentos na saúde, na educação e na segurança pública.
    3. Os políticos corruptos são beneficiados pela impunidade que impera no país.
    TEMA + 3 ARGUMENTOS = INTRODUÇÃO
    TÍTULO: A corrupção no Brasil afeta a população mais carente
    Primeiro Parágrafo - INTRODUÇÃO:
    Chegando ao terceiro milênio, o Brasil ainda não conseguiu erradicar a corrupção que atinge a todos, pois existem várias denúncias de corrupção envolvendo funcionários do alto escalão do governo, os desvios de verbas afetam os investimentos na saúde, na educação e na segurança pública e, além do mais, os corruptos são beneficiados pela impunidade que impera no país.
    Os três argumentos - vão constar do DESENVOLVIMENTO DO TEXTO.
    Segundo Parágrafo - Existem várias denúncias de corrupção....
    Terceiro Parágrafo - Os desvios de verbas afetam........
    Quarto Parágrafo - Os políticos corruptos são beneficiados.......
    Quinto Parágrafo - Conclusão: Expressão inicial + Retomada ao tema abordado + as propostas de intervenção para solucionar o problema discutido.
    CONCLUSÃO
    Portanto, é óbvio que isso tem que mudar. O Brasil só se tornará um país sério quando colocar a corrupção nos níveis de primeiro mundo. Para isso, a justiça deve ser aplicada de forma igualitária para todos que cometem atos de corrupção, os bens confiscados das pessoas corruptas devem ser devolvidos ao erário público e, por fim, devem ser aplicados em benefício da população brasileira.

domingo, 29 de dezembro de 2013



Para Mary Cacheado and Sandra Stoneman

Author: Wystan Hugh Auden

To ask the hard question is simple 
Asking at meeting 
with simple glance of acquaintance 
To what these go 
And how these do: 
To ask the hard question is simple, 
The simple act of the confused will.

But the answer
Is hard and hard to remember:
On steps or on shore
The ears listening
To words at meeting,
The eyes looking
At the hands helping
Are never sure
Of what they learn
From how these things are done.
And forgetting to listen or see
Makes forgetting easy;
Only remembering the method of remembering,
Remembering only in another way,
Only the strangely exciting lie,
Afraid
To remember what the fish ignored,
How the bird escaped, or if the sheep obeyed.

Till, losing memory,
Bird, fish, and sheep ghostly,
And ghosts must do again
What gives them pain.
Cowardice cries
For windy skies,
Coldness for water,
Obedience for a master.
Shall memory restore
The steps and the shore
The face and the meeting place;
Shall the bird live,
Shall the fish dive,
And sheep obey
In a sheep's way;
Can love remember
The question and the answer,
For love recover
What has been dark and rich and warm all over?

August 1930
Author: Wystan Hugh Auden

SONETO DO EPITÁFIO - BOCAGE

SONETO DO EPITÁFIO

Lá quando em mim perder a humanidade
Mais um daqueles, que não fazem falta,
Verbi-gratia — o teólogo, o peralta,
Algum duque, ou marquês, ou conde, ou frade:

Não quero funeral comunidade,
Que engrole "sub-venites" em voz alta;
Pingados gatarrões, gente de malta,
Eu também vos dispenso a caridade:

Mas quando ferrugenta enxada idosa
Sepulcro me cavar em ermo outeiro,
Lavre-me este epitáfio mão piedosa:

"Aqui dorme Bocage, o putanheiro;
Passou vida folgada, e milagrosa;
Comeu, bebeu, fodeu sem ter dinheiro".

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013



Natal... Na província neva.
Nos lares aconchegados,
Um sentimento conserva
Os sentimentos passados.

Coração oposto ao mundo,
Como a família é verdade!
Meu pensamento é profundo,
Estou só e sonho saudade.

E como é branca de graça
A paisagem que não sei,
Vista de trás da vidraça
Do lar que nunca terei!

(Fernando Pessoa)

Meus Oito Anos - Casimiro de Abreu



MEUS OITO ANOS - CASIMIRO DE ABREU

Oh! que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais!
Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras
À sombra das bananeiras,
Debaixo dos laranjais!
Como são belos os dias
Do despontar da existência!
— Respira a alma inocência
Como perfumes a flor;
O mar é — lago sereno,
O céu — um manto azulado,
O mundo — um sonho dourado,
A vida — um hino d'amor!
Que aurora, que sol, que vida,
Que noites de melodia
Naquela doce alegria,
Naquele ingênuo folgar!
O céu bordado d'estrelas,
A terra de aromas cheia
As ondas beijando a areia
E a lua beijando o mar!
Oh! dias da minha infância!
Oh! meu céu de primavera!
Que doce a vida não era
Nessa risonha manhã!
Em vez das mágoas de agora,
Eu tinha nessas delícias
De minha mãe as carícias
E beijos de minhã irmã!
Livre filho das montanhas,
Eu ia bem satisfeito,
Da camisa aberta o peito,
— Pés descalços, braços nus
— Correndo pelas campinas
A roda das cachoeiras,
Atrás das asas ligeiras
Das borboletas azuis!
Naqueles tempos ditosos
Ia colher as pitangas,
Trepava a tirar as mangas,
Brincava à beira do mar;
Rezava às Ave-Marias,
Achava o céu sempre lindo.
Adormecia sorrindo
E despertava a cantar!
................................
Oh! que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais!
— Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras
A sombra das bananeiras
Debaixo dos laranjais!
"Eu sou aquele menino
Que o tempo foi devorando,
Travessia entardecida,
Pés inquietos silenciado
Na rotina dos sapatos,
Mãos afagando lembranças,
Olhos fitos no horizonte
À espera de outras manhãs.
- Ai paletós, ai gravatas,
Ai cansadas cerimônias,
Ai rituais de espera-morte!
Quem me devolve o menino
Sem esses passos solenes,
Sem pensamentos grisalhos,
Sem o sorriso cansado!

Que varandas me convidam
A ser criança de novo,
Que mulheres, só meninas,
Me tentam a cabular
As aulas do dia-a-dia?
Eu sou aquele menino
que cresceu por distração".
(Paulo Bonfim)