Benedict Anderson e as fronteiras
(e anomalias) do nacionalismo
(e anomalias) do nacionalismo
A formulação de Anderson para o conceito de nação se apoia sobre as expressões, por vezes paradoxais, de comunidade imaginada, limitada e, ao mesmo tempo, soberana. “Imaginada porque mesmo os membros da mais minúscula das nações jamais conhecerão, encontrarão ou sequer ouvirão falar da maioria dos seus companheiros, embora todos tenham em mente a imagem viva da comunhão entre eles (…). Limitada porque mesmo a maior delas (…) possui fronteiras finitas, ainda que elásticas, para além das quais existem outras nações (…). Soberana porque o conceito nasceu na época em que o Iluminismo e a Revolução estavam destruindo a legitimidade do reino dinástico hierárquico de ordem divina. Amadurecendo numa fase da história humana em que mesmo os adeptos mais fervorosos de qualquer religião universal se defrontavam inevitavelmente com o pluralismo vivo dessas religiões e com o alomorfismo entre as pretensões ontológicas e a extensão territorial de cada credo, as nações sonham em ser livres (…). A garantia e o emblema dessa liberdade é o Estado Soberano”, expõe o intelectual na introdução da obra.