sábado, 6 de maio de 2017



PEQUENAS GRANDES REFLEXÕES - Marta Cortezao
Matutando, aqui, na proa da minha canoa, sobre o meu mundo que, de repente, pode assemelhar-se ao seu! Esse mundo “desconcertado”, como diria Camões, falto de estrutura, onde, muitas vezes, nos sentimos a deriva, perdidos no caos social que nos rodeia e onde remar contra a correnteza e sentir-se sempre à margem são uma constante; mundo insano, onde, muitas vezes, não se tem palavras para explicar tanta barbárie, tanta injustiça... É, meu compadre, minha comadre, a maré não está para peixe não!
São tantas as incoerências, começando pelas truncadas relações de poder: um indivíduo é escolhido para representar certa maioria, no nosso país democrático, sendo o voto obrigatório! Então me pergunto, seria o voto produto tão comercializado nas pomposas e desonestas campanhas políticas se não fosse obrigatório? Teríamos tanta hipocrisia política? Tantos oportunistas? Conchavo? Corrupção? Miséria? Alto índice de analfabetismo?
Mas o que é causa de maior espanto é a capacidade de resignação que impera! É tanta, que se aceitam certas aberrações como normais, por exemplo, o conchavo, que é abominável, pois se trata de fazer tramoias dentro de um determinado grupo para prejudicar outros. Isto se dá em qualquer relação social e é totalmente aceitável, há os que se ocupam de levar e trazer informações, estão sempre espreitando a vida alheia e plantando discórdia, destruindo qualquer ideia que venha para o bem comum. O respeito e a ética pedem passagem! “Ó abre alas” para a honestidade passar!
É necessário Homens e Mulheres de bem para fazer a diferença. É preciso uma mudança de atitude, ainda que, de início, seja imperceptível, pois o mundo urge por mudanças e que sejam significativas e humanas. Abaixo o mau-caratismo, a maracutaia, a improbidade administrativa, a falta de respeito, a mentira, a egolatria! São pequenas atitudes que podem fazer a diferença: se encontrar um objeto que não lhe pertença, devolva; se seu filho (a) é chamado à atenção na escola, algo ele deve ter feito, não ignore, pois mais tarde pode ser pior; respeite o seu professor (a); se comprar, pague, se não puder, justifique sua impossibilidade, seja sincero; se emprestar, devolva e agradeça de bom grado; se tiver algo a dizer sobre alguém, vá até a essa pessoa e dialogue; não se melindre facilmente, é importante receber os “nãos” no decorrer da vida, o mundo não gira ao seu redor. As grandes atitudes estão nos pequenos gestos!
Enfim, remar contra a maré é fundamental, ainda que os braços fraquejem e o caminho seja longo e árduo, pois, do contrário, se pode perder a direção do Bem, tendo em conta as fortes correntezas e os redemoinhos que a vida nos traz. Há que ser sempre um cidadão de bem, não se deve justificar na pobreza, na marginalidade, a falta de virtude. Precisamos estruturar esse mundo, precisamos de bons exemplos, de grandes heróis e se deve começar dentro de casa, pois é cuidando do próprio jardim que se reconhece, de perto ou de longe, o perfume de cada flor. Fazer uma sociedade diferente depende de cada um, de cada sujeito social, não nos resignemos. Vejo um horizonte daqui da proa da minha canoa!
Marta Cortezao

segunda-feira, 1 de maio de 2017

 O poeta Elson Farias discursando sobre o Clube da Madrugada, 29 de abril de 2017
no Café com Texto.


 Os organizadores e autores do livro "A Literatura no Amazonas: 1954-2010"  e a professora Lourdes Silva e seu neto.
                                                       A professora Lourdes Silva e seu neto.
                                       Professora Margaret Muca no lançamento do livro
                                           "A Literatura no Amazonas: 1954-2010", no dia 29
                                      de abril de 2017 no Café com Texto.


                                       Almoço do meu aniversário com os amigos
                                           Kenedi Azevedo, Elaine Andreatta, Rita Barbosa
                                           de Oliveira, Francisca Louro e Adriana Aguiar.

                                      Lançamento do documento de Izis Negreiros,
                                          "Benedito que subia: do profano ao sagrado"
                                            na UFAM no mês de abril de 2017.


                           
                          O poeta Elson Farias no lançamento do livro "A Literatura no Amazonas: 1954-2010" 29 de abril de 2017 no Café com Texto.


                                       
                                  Lançamento de "Banzeiro Manso" de Marta Cortezão
                                             Março de 2017, em Manaus.



                         Marciel Meirelles  e Hygor Costeñaro no lançamento do livro
                                           "A Literatura no Amazonas: 1954-2010", no dia 29
                                      de abril de 2017 no Café com Texto.

terça-feira, 18 de abril de 2017


Conceição Evaristo
"Asseguro que a minha condição étnica e de gênero, ainda acrescida de outras marcas identitárias, me permite uma experiência diferenciada do homem branco, da mulher branca, e mesmo do homem negro. A minha experiência pessoal influencia a minha escrita conduzindo o ponto de vista, a perspectiva, o olhar que possibilita meu texto" Conceição Evaristo.  

quinta-feira, 13 de abril de 2017


Amigos, Literatura, conversas em dia!







Gabriel Albuquerque adicionou 7 novas fotos ao álbum "Livros a mãos cheias!".
Fui ver o que meus colegas produziram de 2014 para cá e fiquei feliz, bem feliz. A área de Letras se consubstancia como uma referência no estado do Amazonas. Tenho alegria de fazer parte disso.










Francisca De Lourdes Louro
12 h
Aproveito nesses dias pra aprontar, embora no interior ... não se podia muito)...porém, liberaram tudo, tiraram todas as dores de ver Jesus na cruz "acho" que para também nos salvar já que hoje pode tudo, até roubar antes do sábado de Aleluia, e os Judas, sei não, não vão mais apanhar.
Mas, vamos aos factos de que aproveitei o feriado "facultativo" e fui ao confessionário. Abriu a portinhola alguém de lá de dentro que disse troante e dissonante:
- Fala filha! dos teus pecados !!! ?
_ Assustei, PECADOS ?
_ será que não saber ler e escrever já é pecado?
Estava de cabeça baixa e diante do pedido alevantei-a para fitar o alguém lá de dentro no conforto do confessionário.
Confesso diante do confessado o susto levado:
Esbarrei de alegria e esqueci da dor ao ver São Benedito com flores vermelhas nas mãos, tinha descido do céu para "tentar" resolver minha dor.
De dor ele entende, e é sábio em desfazer, especialmente depois do jantar, na hora do ócio criativo de esperar a comida sentar para ele deitar. Para quem sempre sofreu por não saber, sentia duas alegrias, a de não saber e a alegria por ter visto o Santo que vai me salvar da angústia de não SER ?
José Benedito dos Santos salva minha alma corroída de não saber dizer: Amém.

terça-feira, 4 de abril de 2017



DOCUMENTÁRIO “Benedito que subia: Do profano ao divino”


SANTOS, J. B.; NEGREIROS, I.
Evento: Documentário - 'Benedito que subia: Do profano ao divino', 2016. Local Evento: Faculdade de Letras – FLET - UFAM. Cidade do evento: Manaus/Amazonas - Cuiabá/MT. País: Brasil. Instituição promotora: Ministério da Cultura - Maya Filmes. Duração: 25. Tipo de evento: Outro. 

Atividade dos autores: Ator. Data da estreia: 04/04/2017. Local da estreia: Faculdade de Letras – FLET - Universidade Federal do Amazonas - UFAM.








sexta-feira, 31 de março de 2017



O CURSO "A POESIA E OS ORIXÁS" nasceu de meu encantamento com a descoberta do oriki, poesia cantada de louvor aos orixás da tradição iorubá. No Brasil, foi publicado um livro maravilhoso sobre o assunto, "Oriki Orixá", de Antônio Risério. O oriki é um gênero poético que não utiliza métrica, rimas fixas ou estrofes, mas é rico em aliterações, assonâncias, trocadilhos, rimas imprevistas e outros recursos de linguagem, além de incorporar provérbios populares, epítetos (apelidos dos orixás) e pequenas narrativas. Fascinado, estudei os livros de estudiosos sobre as religiões africanas, como Pierre Verger, Juana Elbein dos Santos, Lídia Cabrera, entre outros, e logo escrevi os meus primeiros orikis, que reuni no "Livro de Orikis", publicado em 2015, época em que também passei a frequentar casas de candomblé e de umbanda. O curso, que ministro no Sesc Ribeirão Preto e que em seguida será realizado no Sesc de Piracicaba, é assim um ciclo de conversas sobre poesia, mitos e tradições iorubás, apresentadas por alguém que, não sendo especialista em antropologia ou história das religiões, estabelecerá uma relação entre poesia, música, imaginário e sensibilidade religiosa de uma cultura tão presente e viva na sociedade brasileira.
Claudio Daniel

terça-feira, 7 de março de 2017






"O colonialismo não morreu com as independências. Mudou de turno e de executores. O actual colonialismo dispensa colonos e tornou-se indígena nos nossos territórios, Não só se naturalizou como passou a ser co-gerido numa parceria entre ex-colonizadores e ex-colonizados [...] A ideia de que a Europa, ou os ocidentais, eram simplesmente os culpados e os africanos vítimas é uma simplificação abusiva e moralista da história. Em África, vive-se uma cumplicidade que sempre existiu entre os que exploravam, os que roubavam recursos, a partir de fora, e os que eram coniventes com isso, de dentro. Essa opressão sempre foi feita a duas mãos. E o que acontece hoje com algumas elites africanas é a continuação desse percurso (Mia Couto, 2006, p. 05 e 11, respectivamente).



O discurso deste secretário-toupeira reproduz a fala e escrita do historiador brasileiro Dante Laytano, que, nos "Cadernos de Folclore", n. 7, do Ministério da Educação e Cultura( MEC), escreveu: "A entrada do negro no Brasil foi simultânea com a descoberta do país. Ele conhecia a escravidão, cultivava-a, e praticava-a como sistema um político. A escravidão era praticada na própria África. Os próprios africanos transplantaram-na para a América". A responsabilidade pela escravidão é transferida para os negros! Nossas elites pouco tiveram a ver com o "passado negro" do Brasil.

segunda-feira, 6 de março de 2017




"A cultura é uma coisa apavorante para os ditadores. Um povo que lê nunca será escravo". António Lobo Antunes - psiquiatra e escritor português.

sexta-feira, 3 de março de 2017







                                                                  

   








 

  


  

 















quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017







Livros que ganhei dos amigos!
1. A rainha de maio - Jan Santos
2. Cantos de Codajás - 4 poemas de Chico Wallace
3. Contos de Macau - Henrique de Senna Fernandes.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2017



Terminei a leitura do livro "Onde estão as flores?" (2014), de Ilko Minev.
MINEV, Ilko. Onde estão as flores?. 1ª edição. – São Paulo: Livros de Safra – selo Virgiliae, 2014.
Licco Hazan, o narrador deste romance, enquanto prisioneiro num campo de trabalhos forçados na Bulgária durante a Segunda Guerra Mundial, não poderia nem imaginar que um dia teria um futuro muito melhor na distante e assustadora Amazônia.
É com a trajetória deste personagem, de seus familiares e seu povo que Ilko Minev reconstrói a fascinante e pouco conhecida história do salvamento dos 50 mil judeus búlgaros das câmaras de gás durante o fatídico domínio nazista na Europa. Separado do irmão, o jovem prisioneiro tem a sorte de se aproximar de pessoas que o ajudam a fugir para a Turquia, país neutro, onde ele encontra outra fugitiva: Berta, que se torna o amor de sua vida. Por força do destino e por puro acaso o jovem casal inicia sua nova vida numa terra desconhecida, úmida e quente, a Amazônia. Enquanto isto, o irmão de Licco continua na Bulgária, que então se torna país satélite da União Soviética – uma ditadura stalinista.
Licco narra suas memórias com a naturalidade de um homem que lutou, sofreu, ganhou e perdeu inúmeras batalhas a árdua tarefa de sobreviver e, por isso, tem plena consciência da importância do seu relato para as futuras gerações.
Onde estão as flores? Não é um típico romance histórico, embora reconstitua ambientes e épocas do passado de forma deliciosa. O leitor chega a sentir o balançar descontrolado das ondas do Atlântico, que castigam o velho navio “Jamaique” e seus ocupantes – desesperados fugitivos da carnificina europeia a caminho da sua nova pátria, o Brasil. Ao mesmo tempo, a narrativa traz uma rica apresentação da ocupação geopolítica da Amazônia pelos portugueses, ingleses, judeus, árabes e, sobretudo, nordestinos, que rapidamente se juntam aos índios para formar o fascinante caldeirão amazônico. Todos foram acolhidos e, em compensação, eles enriqueceram a cultura local de forma decisiva. A economia da região que por muitos anos viveu dos resquícios da glória passada do ciclo da borracha hoje depende de outros fatores, entre eles da diversidade inigualável, que precisa ser explorada e preservada ao mesmo tempo [...] Sim, o título do livro é inspirado na canção “Where have all the flowers gone” que na voz sensual de Marlene Dietrich se transformou em hino pacifista mundial”. In: Orelhas. MINEV, Ilko. Onde estão as flores?. 1ª edição. – São Paulo: Livros de Safra – selo Virgiliae, 2014.


Leitura e fichamento do romance "A filha dos rios" (2015) finalizados.
MINEV, Ilko. A filha dos rios. 1ª edição. – São Paulo: Livros de Safra – selo Virgiliae, 2015.
Ilko Minev descreve a realidade amazônica na segunda metade do século passado. Após a ocupação inicial do imenso território na época da prosperidade, com o fim da Batalha da Borracha, encontramos a região empobrecida e longe de conseguir encontrar sua verdadeira vocação econômica. Benjamin Melul, neto de um importante seringalista no primeiro ciclo da borracha ainda sonha ressuscitar o passado glorioso. Em companhia da esposa Nina e de um outro casal, Adriano e Maria, ele retorna ao abandonado seringal “Quatro Ases” na fronteira do Brasil com a Bolívia. Após longos pouco produtivos cincos anos de trabalho árduo naquele inóspito fim de mundo, quando desiludidos eles preparam sua volta à civilização, acontece uma tragédia. Um surto de febre amarela mata quase todos os integrantes daquele pequeno grupo, apenas Maria, a cabocla de olhos verdes sobrevive. De repente a garota jovem se vê sozinha com três pequenas crianças no meio da floresta, num dos lugares mais isolados e perigosos do mundo. Duas das crianças são dela com Adriano, mas a pequena Alice é filha do finado casal Melul.
Os anos seguintes são de desesperada e cruel luta de Maria Bonita e suas crianças pela sobrevivência até a chegada na cidade de Porto Velho. Determinada a dar educação aos seus três filhos já adolescentes a dedicada e perseverante Maria ganha a vida como cozinheira, primeiro na casa do governador do território federal de Rondônia, depois numa boate e por fim na draga de prospecção de ouro de Oleg Hazan, um jovem judeu búlgaro, que tenta a sorte nos garimpos do rio Madeira. A trama se desenvolve no cenário mágico do interior amazônico onde vivem descendentes de nordestinos, portugueses, italianos, espanhóis, árabes e judeus, que desbravaram aquele território imenso desde o primeiro ciclo da borracha.
O autor descreve com conhecimento de causa a vida nos garimpos e a evolução ao longo dos anos da incrível e colorida miscigenação amazônica. Nesta obra as mulheres são responsáveis por mais de um personagem marcante. Além da figura forte e envolvente da cabocla Maria Bonita vale destacar Sandra Reis, dona do bordel, cuja história incrível se mescla com a trama principal. De modo surpreendente Minev apresenta a seus leitores alguns fatos da história brasileira, que poucos conhecem.
Esta obra e intimamente ligada ao primeiro romance do escritor, cujos protagonistas, Licco, Oleg e David, velhos conhecidos dos leitores do "Onde estão as flores?" voltam com força nesta nova história. In: Orelhas. MINEV, Ilko. A filha dos rios. 1ª edição. – São Paulo: Livros de Safra – selo Virgiliae, 2015.