SHALL MEMORY RESTORE/ THE STEPS AND THE SHORE/ THE FACE AND THE MEETING PLACE;- H. W. AUDEN
sexta-feira, 31 de março de 2017
O CURSO "A POESIA E OS ORIXÁS" nasceu de meu encantamento com a descoberta do oriki, poesia cantada de louvor aos orixás da tradição iorubá. No Brasil, foi publicado um livro maravilhoso sobre o assunto, "Oriki Orixá", de Antônio Risério. O oriki é um gênero poético que não utiliza métrica, rimas fixas ou estrofes, mas é rico em aliterações, assonâncias, trocadilhos, rimas imprevistas e outros recursos de linguagem, além de incorporar provérbios populares, epítetos (apelidos dos orixás) e pequenas narrativas. Fascinado, estudei os livros de estudiosos sobre as religiões africanas, como Pierre Verger, Juana Elbein dos Santos, Lídia Cabrera, entre outros, e logo escrevi os meus primeiros orikis, que reuni no "Livro de Orikis", publicado em 2015, época em que também passei a frequentar casas de candomblé e de umbanda. O curso, que ministro no Sesc Ribeirão Preto e que em seguida será realizado no Sesc de Piracicaba, é assim um ciclo de conversas sobre poesia, mitos e tradições iorubás, apresentadas por alguém que, não sendo especialista em antropologia ou história das religiões, estabelecerá uma relação entre poesia, música, imaginário e sensibilidade religiosa de uma cultura tão presente e viva na sociedade brasileira.
Claudio Daniel.
terça-feira, 7 de março de 2017
"O colonialismo não morreu com as independências. Mudou de turno e de executores. O actual colonialismo dispensa colonos e tornou-se indígena nos nossos territórios, Não só se naturalizou como passou a ser co-gerido numa parceria entre ex-colonizadores e ex-colonizados [...] A ideia de que a Europa, ou os ocidentais, eram simplesmente os culpados e os africanos vítimas é uma simplificação abusiva e moralista da história. Em África, vive-se uma cumplicidade que sempre existiu entre os que exploravam, os que roubavam recursos, a partir de fora, e os que eram coniventes com isso, de dentro. Essa opressão sempre foi feita a duas mãos. E o que acontece hoje com algumas elites africanas é a continuação desse percurso (Mia Couto, 2006, p. 05 e 11, respectivamente).
O discurso deste secretário-toupeira reproduz a fala e escrita do historiador brasileiro Dante Laytano, que, nos "Cadernos de Folclore", n. 7, do Ministério da Educação e Cultura( MEC), escreveu: "A entrada do negro no Brasil foi simultânea com a descoberta do país. Ele conhecia a escravidão, cultivava-a, e praticava-a como sistema um político. A escravidão era praticada na própria África. Os próprios africanos transplantaram-na para a América". A responsabilidade pela escravidão é transferida para os negros! Nossas elites pouco tiveram a ver com o "passado negro" do Brasil.
segunda-feira, 6 de março de 2017
sexta-feira, 3 de março de 2017
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