esta morte vivente,
que te retalha, oh, Deus,
em tua rigorosa obra
nas rosas, nas pedras,
nos astros indomáveis
e na carne que se queima,
como uma fogueira acesa por uma música,
um sonho,
um matiz que atinge o olho.
... e tu, tu próprio,
talvez tenhas morrido eternidades de eras aí fora,
sem que saibamos a respeito,
nos refugos, nas migalhas, nas cinzas de ti;
tu que ainda estás presente,
como um astro imitado por sua própria luz,
uma luz vazia sem astros
que nos alcança,
escondendo
sua infinita catástrofe."
(José Gorostiza. In O poder do silêncio. Carlos Castaneda. Rio de Janeiro: Record,2ooo. p.117)