quinta-feira, 27 de junho de 2013

POEMA DA NOITE

O acendedor de lampiões - Jorge de Lima

Lá vem o acendedor de lampiões da rua! 
Este mesmo que vem infatigavelmente, 
Parodiar o sol e associar-se à lua 
Quando a sombra da noite enegrece o poente!
Um, dois, três lampiões, acende e continua 
Outros mais a acender imperturbavelmente, 
À medida que a noite aos poucos se acentua 
E a palidez da lua apenas se pressente.
Triste ironia atroz que o senso humano irrita: - 
Ele que doira a noite e ilumina a cidade, 
Talvez não tenha luz na choupana em que habita.
Tanta gente também nos outros insinua 
Crenças, religiões, amor, felicidade, 
Como este acendedor de lampiões da rua!

Jorge Mateus de Lima (Alagoas no dia 23 de abril de 1893 - Rio de Janeiro 15 de novembro de 1953). Foi poeta, médico, político, ensaista, tradutor e pintor. Formou-se médico aos vinte anos na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro. Começou a escrever poesia parnasiana, aprofundou-se na forma do soneto e depois sobre a temática nativa. Jorge de Lima também é conhecido pela sua catolicidade. Escreveu poemas essencialmente religiosos e, junto com Murilo Mendes, restaurou a Poesia em Cristo. Teve sua candidatura recusada pela Academia Brasileira de Letras seis vezes

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