A literatura negra é um imaginário que se forma, articula e transforma no curso do tempo. Não surge de um momento para outro, nem é autônoma desde o primeiro instante. Sua história está assinalada por autores, obras, temas, invenções literárias. É um imaginário que se articula aqui e ali, conforme o diálogo de autores, obras, temas e invenções literárias. É um movimento, um devir, no sentido de que se forma e transforma. Aos poucos, por dentro e por fora da literatura brasileira, surge a literatura negra, como um todo com perfil próprio, um sistema significativo (IANNI, 1988, p. 11). IANNI, Octavio. Literatura e consciência. In: Revista do Instituto de Estudos Brasileiros. Edição Comemorativa do Centenário da Abolição da Escravatura. N. 28. São Paulo: USP, 1988.
“A literatura atua em
determinados momentos históricos no sentido da união da comunidade em torno de
seus mitos fundadores, de seu imaginário ou de sua ideologia, tendendo a uma
homogeneização discursiva, à fabricação de uma palavra exclusiva, ou
seja, aquela que pratica uma ocultação sistemática do outro, ou uma
representação inventada do outro. No caso da Literatura Brasileira, este outro
é o negro cuja representação é frequentemente ocultada, ou o índio cuja
representação é, via de regra, inventada” (BERND, 1992, p. 21). BERND, Zilá. Literatura e identidade nacional. Porto
Alegre: Ed. da Universidade/UFRGS, 1992.