segunda-feira, 16 de abril de 2018




FRAGMENTOS DE UMA VIDA EM CONSTRUÇÃO

José Benedito dos Santos (UFAM)[1]



Um homem vem caminhando por um parque quando de repente se vê com sete anos de idade. Está com quarenta e poucos. De repente dá com ele mesmo chutando uma bola perto de um banco [...] Não tem a menor dúvida de que é ele mesmo. Reconhece a sua própria cara, reconhece o banco [...] Tem uma vaga lembrança daquela cena. Um dia ele estava jogando bola no parque quando de repente aproximou-se um homem e... O homem aproxima-se dele mesmo. Ajoelha-se, põe as mãos nos seus ombros e olha nos seus olhos. Seus olhos se enchem de lágrimas. Sente uma coisa no peito. Que coisa é a vida. Que coisa pior ainda é o tempo. Como eu era inocente. Como os meus olhos eram limpos. O homem tenta dizer alguma coisa, mas não encontra o que dizer. Apenas abraça a si mesmo, longamente. Depois sai caminhando, chorando, sem olhar para trás.
       O garoto fica olhando para a sua figura que se afasta. Também se reconheceu. E fica pensando, aborrecido: quando eu tiver quarenta, quarenta e poucos anos, como eu vou ser sentimental (Luís Fernando Veríssimo)[2].
Escrever para algumas pessoas se parece com um gracioso jogo de palavras, um brincar com os significados que elas têm, já para outras, torna-se um grande desafio. No meu caso específico, a dificuldade de relatar minhas experiências com a palavra escrita reside no fato de que eu nunca registrei no papel os fatos mais relevantes ocorridos ao longo de 50 anos da minha existência.
Nasci numa cidadezinha do interior de Alagoas, Região Nordeste, a qual tem o maior índice de analfabetos do Brasil. Para quem nasceu ali, saber ler e escrever, infelizmente, ainda é considerado um privilégio de poucos. No filme “Central do Brasil” (1998), Dora, personagem vivida pela atriz Fernanda Montenegro lê e redige cartas para dezenas de pessoas analfabetas. Algumas cenas dos filmes exemplificam muito bem esta condição de analfabetismo de uma considerável parcela da população nordestina.
Minha mãe era analfabeta, porém, fazia com que os seus filhos estudassem para ser “alguém na vida”. Por conta dessa preocupação, quando entrei na escola já sabia soletrar, ler e escrever as primeiras letras da cartilha. Apesar de minha avó materna ser, também, analfabeta, era uma ótima contadora de estórias. Ela tinha uma enorme habilidade, para contar as dezenas de estórias dos folhetins da Literatura de cordel. Que talento ela possuía para narrar essas estórias, com seu jeito admirável de falar, dar vozes aos personagens. Eu passava horas ouvindo estórias de princesas que dormiam durante cem anos, de príncipes que viravam sapos, as façanhas do cangaceiro Lampião, a lenda do Pavão Misterioso... Ouvir essas narrativas orais, durante minha infância, despertou o meu interesse pelo reino das palavras.
Na pequena escola que havia na fazenda, onde minha família morava, os alunos estudavam até a terceira série primária. Se alguém quisesse estudar mais um pouco, teria que se deslocar até a cidade, que ficava distante da fazenda acerca de dois quilômetros. Para que eu pudesse cursar a quarta série, minha mãe escolheu uma boa escola na cidade.
No primeiro dia de aula, a professora de Língua Portuguesa pediu que a turma escrevesse uma redação sobre as aventuras ocorridas nas férias. Num primeiro momento fiquei tenso, mas em seguida, chamei a professora e disse que eu não tinha assunto, para escrever o texto, ela ficou meio decepcionada, porém não disse nada. Alguns meses depois, a mesma professora pediu que a turma fosse à biblioteca da escola e que cada um de nós escolhesse um livro de aventura para ler. A obra escolhida por mim foi “As vinte mil léguas submarinas”, de Júlio Verne, que tem como personagens o Capitão Nemo e o submarino Nautillus. A partir da leitura desse livro, comecei a alimentar o sonho de viajar pelo mundo e conhecer pessoas que falassem outras línguas.
Em julho de 1980, minha mãe veio a falecer. Chorar a morte daqueles que amamos é o que resta, para os que ficaram na periferia da vida. Além de equilibrar a dor, a saudade, com as lições de vida que essa pessoa nos legou. Entretanto, essa estratégia não funcionou comigo. Recorri à produção de textos, a qual me serviu como válvula de escape, para liberar a dor pelo falecimento de minha mãe, escrevia compulsivamente, para não enlouquecer. Nessa fase, imitei Álvares de Azevedo, pois o tema que brotava de cada texto era o da morte. Isso parece mórbido talvez, mas funcionou como terapia.
Em agosto de 1983, resolvi sair de Alagoas porque a atmosfera provinciana de Maceió estava me sufocando. Larguei o emprego de balconista numa loja de produtos para panificadora e, com o dinheiro da rescisão de contrato, comprei uma passagem só de ida para Porto Velho-Rondônia. No dia 13 de agosto de 1983, num sábado à tarde, despedi-me da minha família, dos amigos e embarquei em um avião da VASP, rumo ao desconhecido.
Ao desembarcar na cidade de Porto Velho, após 12 horas de voo, finalmente, eu estava realizando o sonho de conhecer a Amazônia. Sonho esse acalentado, desde que fui “fisgado” pelas histórias narradas por alguns amigos da minha família, que trabalharam na construção da Transamazônica na década de 70. Quando voltaram para Alagoas, eles relatavam histórias fantásticas sobre o tamanho dos rios, da floresta, da estrada...
Ao longo dos três anos em que morei na cidade de Porto Velho, procurei ler autores/obras da região. Os primeiros romances que li, foram: “Mad Maria” e “Galvez, imperador do Acre”, do escritor amazonense Márcio Souza.
Após três anos morando em Porto Velho, cansei da vidinha que estava levando, resolvi conhecer Roraima. Cheguei à cidade de Boa Vista, em abril de 1986. Após três dias em busca de emprego, finalmente, consegui uma vaga de apontador de campo, na Construtora Mendes Jr., pois a mesma estava construindo a Usina Hidrelétrica de Roraima. No final de maio, começou o período das chuvas, por isso todos os funcionários foram demitidos. E, por conta disso, no dia 22 de junho de 1986, peguei um avião em Boa Vista, uma hora depois, eu desembarcava no Aeroporto Internacional Eduardo Gomes em Manaus.
Cheguei a Manaus com pouca grana, por isso, resolvi dormir na Rodoviária até conseguir um trabalho. Durante quinze dias, o banco de madeira, sujo, áspero, gasto pelo tempo, foi a minha cama. Às quatro horas da manhã, o segurança pedia que eu me levantasse. No décimo quinto dia, finalmente, consegui um emprego. O fato de eu ter trabalhado na construtora Mendes Jr., em Roraima, ajudou-me bastante. Fui trabalhar, mais uma vez, como apontador de campo.
No primeiro dia de trabalho, conheci uma quantidade enorme de nordestinos que trabalhava na empresa. Dois dias depois, fiz amizade com um rapaz, que era do Maranhão. Na hora do almoço, ele me perguntou onde eu morava. Respondi-lhe que estava dormindo na Rodoviária. Ele num gesto de boa vontade me convidou para morar em sua casa. Todavia, quando recebi o salário da primeira quinzena, aluguei um quarto. A partir daí, comecei organizar minha vida.
Em setembro de 1986, prestei concurso para a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT), fui aprovado em primeiro lugar, para exercer o cargo de carteiro. Neste mesmo ano, também, fui aprovado em segundo lugar no vestibular da Universidade Federal do Amazonas, infelizmente, não pude cursar Ciências Contábeis porque não tinha comigo o certificado do Ensino Médio. Trabalhei nos Correios durante sete anos. Em 1993, fui demitido. Com uma parte do dinheiro da rescisão de contrato, comprei uma casa no bairro da Alvorada I, onde resido até o presente momento.
Em 1996, depois de 15 anos sem estudar, resolvi voltar à sala de aula, para me atualizar e, futuramente ingressar na Universidade. Refiz as três séries do Ensino Médio (1996-1998). O sonho de ingressar na universidade teve que ser adiado, por dois anos, porque, na época da inscrição do vestibular, eu nunca tinha dinheiro.
Em 2001, finalmente, prestei vestibular na Universidade Federal do Amazonas e fui aprovado no Curso de Letras – Língua e Literatura Portuguesa. A minha escolha por este curso teve como objetivo ampliar meus conhecimentos literários e, principalmente aprimorar a produção textual. Já no primeiro período da graduação, tive a grata surpresa de ter como professor Odenildo Sena na disciplina “Comunicação em Prosa Moderna I”. Ao produzir os meus primeiros textos, e ao apresentá-los na sala de aula, obtive uma ótima recepção por parte da turma e do mestre. Foi uma verdadeira massagem para o meu ego de aspirante a escritor. Porém, na avaliação intermediária da referida disciplina, cometi uma gafe, quando escrevi: “A maioria são...”. O professor Odenildo Sena não me perdoou e escreveu: “O que é isso, companheiro?”.
O meu último encontro acadêmico com a palavra escrita foi, no Curso de Especialização em Língua Portuguesa com ênfase em produção textual, na Universidade Federal do Amazonas, em 2007. Ao iniciar a minha produção de textos, levei algum tempo para me adequar à maneira como o professor queria que os mesmos fossem escritos na fôrma/forma de parágrafo-padrão. Todavia, fui capaz de parir dezessete textos-filhos e, este, foi o último rebento daquela numerosa prole, mas também, foi o que mais me causou dor, angústia, ansiedade, insônia, porque se tratava das minhas experiências com palavra escrita. Em síntese, para alguém que é formado em Letras – Língua e Literatura Portuguesa ─, revelar publicamente que tem dificuldade com a escrita é meio constrangedor, já que é prática comum reclamarmos que nossos alunos não sabem ler e nem escrever.
Nossas memórias, por mais que sejam escritas na solidão nunca são as lembranças de uma única pessoa. Tudo que nos vem ao pensamento, sejam ideias, sejam simples anotações guardadas em alguma gaveta, elas estão repletas de experiências pessoais, de familiares, amigos, companheiros, até mesmo de pessoas desconhecidas que em determinado momento de suas vidas compartilharam conosco suas alegrias e tristezas.
Como diria D. Juan, personagem dos livros de Carlos Castañeda, “Estou longe do céu onde nasci uma imensa nostalgia invade o pensamento. Agora que estou tão só e triste, qual a folha ao vento, às vezes quero chorar, às vezes quero rir de saudade”[3]. Essa perspectiva, a do passado, no ato de ser rememorado, perde sua pureza de ter sido e torna-se presente. As experiências ocorridas no passado, ao serem lembradas, não podem ser recuperadas na sua integridade porque se transformaram no decorrer do tempo. O que resta, portanto, é apenas o presente existencial, convergência do passado modificado pela memória.
Este é o relato da volta de um homem, após longos anos de existência, à memória de sua infância, adolescência, maturidade... Uma dolorosa viagem à memória, a uma ilha esquecida e traiçoeira, para resgatar a importância da leitura e da escrita na sua formação como ser humano. E, contudo, essas memórias já não são as minhas memórias. O tempo flui nelas, arrasta-as. Portanto, já não são as mesmas experiências de quando as vivi; pois a fugacidade do tempo e o fatal envelhecimento do humano fragmentaram essas lembranças no tempo e no espaço.





[1] Mestre em Letras - Estudos Literários – Universidade Federal do Amazonas - UFAM. Professor Substituto de Língua e Literatura Portuguesa – CLLP – FLet - Universidade Federal do Amazonas – UFAM. Membro do Grupo de Estudos e Pesquisas em Literaturas de Língua Portuguesa - GEPELIP.  Manaus – Amazonas - Brasil. CEP: 69077-000. E-mail: profbenesantos@hotmail.com.   
[2] “História estranha”. In: Comédias para se ler na escola. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001, p, 43.
[3] Carlos Castañeda. Viagem a Ixtlan. Rio de Janeiro: Editora Record, 1983, p. 116.  




Literatura e Pós-colonialismo: a vez e a voz do subalterno

 2018-01-27
Concomitantemente ao desenvolvimento dos Estudos Culturais e Pós-Coloniais, pesquisas empreendidas por teóricos, como os indianos Homi Bhabha e Gayatri Spivak, o jamaicano Stuart Hall, o martinicano Frantz Fanon e o palestino Edward Said, recolocaram, no centro das discussões sociológicas, históricas e culturais, as formas da colonização europeia e novas estratégias de imperialismo e de exploração empreendidas por países economicamente desenvolvidos. Os debates promovidos por esses intelectuais oriundos da periferia foram capazes de gerar uma revisitação às formas de representação cultural, trazendo para a cena literária, por um lado, vozes que ficaram emudecidas, e, por outro, revelando as estratégias discursivas que estruturam as narrativas produzidas pelos detentores dos discursos dominantes. Nesse cenário, o velho cânone literário passou a ser relido e teve de ceder espaço a outras manifestações culturais. É assim que vozes encobertas (de autores, de personagens, de intelectuais) passam a ser buscadas, na tentativa de oferecer, ainda que tardiamente, outro ponto de vista aos discursos oficiais e de construir uma identidade mais democrática e diversificada, que contemple a diferença como um aspecto positivo e enriquecedor das culturas. Nessa perspectiva, este número 11 da Revista Decifrar espera receber artigos, em língua portuguesa, espanhola, francesa e inglesa, que investiguem temas, obras, personagens, autores, teorias produzidas antes e depois da independência política dos países da América, África, Ásia e Índia e que promovam uma revisão dos processos culturais e dos resquícios mentais da colonização e da descolonização.
  

Data limite para envio de artigos: 28 de fevereiro de 2018. 
Prorrogado: 30/04/2018
Responsáveis pela edição: Adriana Aguiar (UFAM/UNICAMP) e José Benedito dos Santos (UFAM/UNB) 



"O escritor de crônicas é um construtor efêmero. Seu texto vai ser esquecido no dia seguinte. Diferente do romancista, que possui a ânsia de imortalidade. A crônica de jornal, no mesmo dia em que nasce, já está a morrer. Como as flores, dizia Shakespeare. Nada mais virtual. É claro que existiram Rubem Braga e Machado. Mas gênio não conta. Estão fora da regra, fora do parâmetro humano. A crônica do acontecimento, principalmente, morre logo cedo. "Eu não sabia que você gostava de escrever crônica” .
Rogel Samuel. 




"O papel do intelectual é, antes de mais nada, o de apresentar leituras alternativas e perspectivas da história outras que aquelas oferecidas pelos representantes da memória oficial e da identidade nacional – que tendem a trabalhar em termos de falsas unidades, da manipulação de representações distorcidas ou demonizadas de populações indesejadas ou excluídas e da propagação de hinos heroicos cantados para varrer todos que estiverem em seu caminho" (SAID, 2003b, p. 39).
 




MBEMBE, Achille. "Sair da grande noite. Ensaio sobre a descolonização da África". 2014.

"Desde a sua eclosão, esse pensamento foi objeto de interpretações muito diversas e suscitou, em intervalos relativamente frequentes, vagas polémicas e controversas — que aliás persistem — e mesmo contestações totalmente contraditórias entre si. Também engendrou práticas intelectuais, políticas e estéticas tão profusas quanto divergentes, a ponto de, por vezes, se questionar acerca dos elementos constitutivos da unidade. Não obstante essa fragmentação pode afirmar-se que, no seu núcleo central, a crítica pós-colonial visa aquilo que poderia designar-se pela interpolação das histórias e a concatenação dos mundos. Dado que a escravatura, e sobretudo a colonização (mas também as migrações, a circulação das formas e dos imaginários, dos bens, das ideias e das pessoas) desempenhou um papel decisivo nesse processo de colisão e de imbricação dos povos, não é surpreendente que as tenha convertido nos objetos privilegiados dos seus estudos" (MBEMBE, 2014, p. 101-102).
Ademais, escreve ainda o autor,
"O sumo do pensamento pós-colonial não considera a colonização nem como uma estrutura imutável e anistórica, nem como uma entidade abstracta, mas como um processo complexo de invenção de fronteiras e intervalos, de zonas de passagem e espaços intersticiais ou de trânsito. Paralelamente, sustenta que, enquanto força histórica e moderna, uma das suas funções consistia na produção da subalternidade. Nos seus impérios, várias potências coloniais tinham instaurado uma subordinação assente em bases raciais e estatutos jurídicos por vezes diferenciados, mas sempre, e em última instância, inferiorizantes. Em contrapartida, com vista a articular as suas reivindicações à luz da igualdade, muitos sujeitos coloniais procederam à crítica dos erros que a lei da raça e a raça da lei (e a do gênero e a da sexualidade) tinham contribuído para criar. Logo, o pensamento pós-colonial analisa o trabalho concretizado pela raça bem como as diferenças assentes no género e na sexualidade no imaginário colonial, as suas funções no processo de subjetivação dos subjugados coloniais. Paralelamente, debruça-se sobre a análise dos fenómenos de resistência que marcaram a história colonial, as diversas experiências de emancipação e os seus limites, tal como os povos oprimidos se constituíram sujeitos históricos e influenciaram muito caracteristicamente a constituição de um mundo transnacional e diaspórico. Por fim, incide sobre a forma como os vestígios do passado colonial são atualmente objeto de um trabalho simbólico e prático, bem como as condições segundo as quais esse trabalho produz formas inéditas, híbridas ou cosmopolitas, na via e na política, na cultura e na modernidade" (MBEMBE, 2014, p. 102).

O mito de um mundo africano
"Sou um escritor ibo, porque essa é minha cultura básica; nigeriano, africano e escritor... não, primeiro negro, depois escritor. Cada uma dessas identidades efetivamente invoca um certo tipo de compromisso de minha parte. Devo enxergar o que é ser negro - e isso significa ser suficientemente inteligente para saber como gira o mundo e como se saem os negros no mundo. É isso que significa ser negro. Ou africano - dá no mesmo: que significa a África para o mundo? Quando se vê um africano, que significa isso para um homem branco? Chinua Achebe" . 



"Ser Sábio não é ser diplomado; ter conhecimento não é ter diploma; ser inteligente não vem escrito em títulos. A sabedoria, o conhecimento e a inteligência fundamentam-se na maneira como tratamos nossos semelhantes, revelam-se na verdade dos fatos sobre os quais tratamos e demonstram-se com a criatividade em lidar com os diferentes de nós e com as adversidades". 


"Aqueles que assentam cada vez mais longe do lugar onde nasceram, aqueles que guiam o seu barco para outras margens, sabem cada vez melhor o curso das coisas ilegíveis; e subindo os rios até a sua nascente, entre as verdes aparências, são invadidos subitamente por esse brilho austero onde toda a língua perde as suas armas" Saint-John Perse (apud MBEMBE, 2014).