
O lançamento do primeiro livro de Carlos Castaneda, THE TEACHINGS OF DON JUAN, em 1968, foi um fenômeno editorial. Apresentado como uma tese para um grau universitário em Antropologia, o livro virou um best-seller mundial. Não se falava em outra coisa e, pouco depois já era o assunto da reportagem de capa da revista TIMES - o que, no início dos anos 70, pelo menos, era prova definitiva de sucesso. Com os três livros seguintes, o êxito foi semelhante. Castaneda era o portador da sabedoria pré-colombiana, que muitos ligavam a doutrinas orientais, como o ZEN, ou a escolas esotéricas ocidentais, como a de GURDJIEF. Com a vantagem de que o mestre de Castaneda, o velho feiticeiro índio a quem chama de Don Juan, era mais simpático, mais espirituoso, mais engraçado, além de ser dono um carisma que despertava nos leitores a mais absoluta confiança.
Mas havia, também, a moda das drogas. Thimothy Leary apregoava as virtudes religiosas do LSD. A experiência dos chamados estados alterados da consciência, induzidos por agentes químicos, passara a fazer parte da formação dos jovens e Don Juan utilizava, para comunicar seus ensinamentos, três plantas alucinógenas- o estramônio, o cogumelo mágico mexicano e o peiote - que ele chama "plantas de poder". Depois, porém, verificou-se que este era um detalhe pouco importante no contexto da doutrina que estava sendo transmitida. Dos oitos livros publicados por Castaneda até hoje os únicos que tratam das "plantas de poder" são o primeiro, cujo título foi inexplicavelmente traduzido no Brasil para A ERVA DO DIABO, e o segundo, A SEPARATE REALITY - que, aqui, virou UMA ESTRANHA REALIDADE. A partir do terceiro livro, JOURNEY TO IXTLAN (Viagem a Ixtlan), o assunto é abandonado, exceto por breves observações corretivas, e relegado a uma posição secundária no sistema de crenças e práticas descrito pelo escritor. Os livros não se classificam na literatura sobre drogas, características dos anos 60, nem a prática de Don Juan tem qualquer semelhança com a de seitas religiosas que incluem alucinógenos em seus cultos, como a Igreja-Nativista Americana, com o peiote, ou o Santo- Daime, no Brasil, com a AYAHUASCA. A imagem popular de Castaneda e Don Juan como grandes tomadores de drogas é mera distorção. Não tem a nada a ver.
Por outro lado, a questão sobre a veracidade da história é um pouco mais complexa. Castaneda é acusado de "impostor" por ter pretendido passar mera ficção, produto de sua imaginaçao, por relato verídico, reportagem e estudo científico. Alguns críticos norte-americanos ficaram logo muito preocupados com isso; contudo, apesar, de surgirem vários livros para demonstrar a alegada farsa, como THE JOURNEY OF CASTANEDA, de Richard De Mille, o próprio Castaneda continua a insistir vigorosamente na veracidade de sua narrativa.
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