quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

DIAS DE CHUVAS EM MANAUS SÃO ASSIM MESMO


By Michelle Souza

Até duas semanas atrás, o calor era insuportável, chegando à casa dos 38 graus com sensação térmica de 40. Não havia maquiagem que durasse muito, ou banho que se sustentasse por duas ou três horas. Em questão de minutos, mesmo no mormaço, era muito fácil suar as bicas e sentir o ardume do sol na pele. A cidade, por estar se preparando para a Copa de 2014, e para virar num futuro bem próximo uma metrópole, ficou coberta de poeira das construções e da fumaça das queimadas. O resultado disso, era uma mistura de sal, óleo e pó no corpo não muito confortável que, talvez, se pudéssemos ser fritos, acabaríamos em um tacho juntos com jaraquis e tucunarés, para sermos servidos com vinagrete e farinha uarini.
A chuva que deveria ter chegado no Dia de Finados, segundo os mais velhos, estava prevista para fevereiro, de acordo com as previsões dos meteorologistas. E, para surpresa de todos, chegou no início de Dezembro, não dando tempo de comprar guarda-chuva e nem de terminar aquela reforma da casa com o décimo terceiro. Chegou também com toda a força que não estava prevista, pois é o ano de EL ÑINO. E por causa dela, muitos passaram a reclamar.
O trânsito caótico, a sujeira das ruas, a roupa molhada, o frio ganhou um novo Judas: a chuva. O trânsito que não era de um fluxo de dar inveja ao Japão ficou atrás de São Paulo, com engarrafamento de 600 metros. A sujeira das ruas que foram meticulosamente acumuladas durante os dias de seca, passaram a entupir os bueiros da cidade. A roupa molhada, o cheiro de macaco suado, morto à tapa passou a ser muito comum em ônibus lotados, porque fica difícil, nesses dias, enxugar a roupa. Além disso, o frio de 24 graus faz o mais calorento manauara ficar chocando e espantando carapanã na rede.
Dias de chuva em Manaus são assim mesmo. Poderia ser o contrário. Pessoas andando mais de bicicleta e o poder público agindo de forma mais preventiva para evitar o RUSH de uma cidade em crescimento. O povo jogando seu lixo em locais adequados e sem ficar sob a ameaça de pagar mais uma taxa. Aliás, o aterro sanitário da cidade já tem condições de ser auto-sustentável com energia limpa que é o gás metano.
Para evitar a roupa molhada seria bom adotar capas de chuvas e, de quebra, para os pés, galochas. Infelizmente, não temos esse hábito. E, claro, uma ou duas horas de sol para secarmos nossas roupas. Quanto ao frio, ele pode ficar em paz. Serve para aconchegar os corpos e para dormir em conchinha. O problema é só os carapanãs, que insistem em dizer que estão ali zunindo e beliscando. Como não dá para acender uma fogueira embaixo da rede como nossos antepassados, serve uma utilidade moderna: BAYGON em espiral, é fedorento para ele e muito mais para nós, mas ajuda.
Dias de chuva em Manaus são assim mesmo. E em meio a tantas reclamações, o bom é saber que lá pra maio, começa novamente o verão amazônico pra gente sentir falta da chuva e falar mal do período de estiagem. Esse movimento de eterno retorno foi percebido no tempo dos gregos e, oxalá, que permaneça até que a Natureza permita ou que os homens não atrapalhem de vez. (Michelle Souza- dezembro de 2009- Blog Casanumato)

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