SHALL MEMORY RESTORE/ THE STEPS AND THE SHORE/ THE FACE AND THE MEETING PLACE;- H. W. AUDEN
domingo, 5 de julho de 2015
“Nada é novo, contudo. As histórias estão tatuadas nas gentes, talhadas nas pedras, calcadas nas árvores, delineadas na terra, submersas nas águas. Todos podem lê-las convenientemente. É questão de querer descer ao chão e escutar, com amor, os corações subterrâneos. Aí estão as legendas remotas, os mitos sagrados, os hieróglifos eternos, os totens propiciatórios. Aí estão os homens e os bichos, a música e as figuras, os hábitos e as cerimônias. Tudo é relevo quando conscientemente analisado. Não há mistérios. Há silêncio nas interpretações” (Abguar Bastos. Terra de Icamiaba. Rio de Janeiro: Andersen, 1934, p. 5).
"A Amazônia é ainda uma das pátrias do mito, onde ainda existe uma unidade entre pensamento e a vida numa constante interação de estímulos e afirmação. A Amazônia estará livre quando reconhecermos definitivamente que essa natureza é a nossa cultura, onde uma árvore derrubada é como uma palavra censurada e um rio poluído é como uma página rasurada. A luta pela Amazônia está no processo geral de libertação dos povos oprimidos" (SOUZA, 1978, p. 39).
“A Amazônia não nasce direta ou limpidamente brasileira. Começa por ser principalmente indígena, nativa. Aos poucos, revela-se portuguesa, colonial. Em seguida, afirma-se cabana, revolucionária. Depois, é definida como brasileira, nacional. Situa-se no mapa do Brasil com imensa geografia e surpreendente história. Mas continuará sendo simultaneamente indígena, portuguesa, cabana e brasileira; assim como um momento da sociedade mundial.
É assim que a Amazônia passa a fazer parte do mapa do mundo: como realidade geográfica e histórica. E também se constitui como fabulação mítica. São muitos, no Brasil, na América Latina e no mundo, os que elegeram a Amazônia como um momento especial, estranho ou fascinante, da natureza. São muitos os que preferem o mito, a metáfora do paraíso. Mas a Amazônia é principalmente história. História no sentido de atividades sociais, econômicas, políticas e culturais.
História no sentido de controvérsias, lutas e realizações. A própria geografia pode ser vista como uma sucessão de desenhos demarcando os movimentos da história. O que parece natureza é a figuração dos indivíduos e coletividades apropriando-se da terra, como objeto e meio de produção. A rigor, são as formas de organização social da vida e trabalho que criam e recriam a natureza, seja quando ela é embelezada, seja quando mutilada. Em todos os casos, está sendo humanizada, isto é, historicizada.
Esta é uma história fundamental. Nela, revelam-se tanto o colonialismo e o imperialismo quanto o nativismo e o nacionalismo. Aqui, revelam-se os ciclos, as lutas, as realizações e as perspectivas que constituem a Amazônia. Assim se podem visualizar as configurações e os movimentos que a inserem no mapa do Brasil e no mapa do mundo” (IANNI, 2004, p. 7- 8). IANNI, Octavio. Apresentação. IN; O paiz do Amazonas. SILVA, Marilene Corrêa da. Manaus: Editora Valer/Governo do Estado do Amazonas/Uninorte, 2004.
sexta-feira, 3 de julho de 2015
A ESCRAVIDÃO - Tobias Barreto
Se é Deus quem deixa o mundo
Sob o peso que o oprime,
Se ele consente esse crime,
Que se chama escravidão,
Para fazer homens livres,
Para arrancá-los do abismo,
Existe um patriotismo
Maior que a religião.
Sob o peso que o oprime,
Se ele consente esse crime,
Que se chama escravidão,
Para fazer homens livres,
Para arrancá-los do abismo,
Existe um patriotismo
Maior que a religião.
Se não lhe importa o escravo
Que a seus pés queixas deponha,
Cobrindo assim de vergonha
A face dos anjos seus,
Em delírio inefável,
Praticando a caridade,
Nesta hora a mocidade
Corrige o erro de Deus!
Que a seus pés queixas deponha,
Cobrindo assim de vergonha
A face dos anjos seus,
Em delírio inefável,
Praticando a caridade,
Nesta hora a mocidade
Corrige o erro de Deus!
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