domingo, 5 de julho de 2015


“A Amazônia não nasce direta ou limpidamente brasileira. Começa por ser principalmente indígena, nativa. Aos poucos, revela-se portuguesa, colonial. Em seguida, afirma-se cabana, revolucionária. Depois, é definida como brasileira, nacional. Situa-se no mapa do Brasil com imensa geografia e surpreendente história. Mas continuará sendo simultaneamente indígena, portuguesa, cabana e brasileira; assim como um momento da sociedade mundial.
É assim que a Amazônia passa a fazer parte do mapa do mundo: como realidade geográfica e histórica. E também se constitui como fabulação mítica. São muitos, no Brasil, na América Latina e no mundo, os que elegeram a Amazônia como um momento especial, estranho ou fascinante, da natureza. São muitos os que preferem o mito, a metáfora do paraíso. Mas a Amazônia é principalmente história. História no sentido de atividades sociais, econômicas, políticas e culturais.
História no sentido de controvérsias, lutas e realizações. A própria geografia pode ser vista como uma sucessão de desenhos demarcando os movimentos da história. O que parece natureza é a figuração dos indivíduos e coletividades apropriando-se da terra, como objeto e meio de produção. A rigor, são as formas de organização social da vida e trabalho que criam e recriam a natureza, seja quando ela é embelezada, seja quando mutilada. Em todos os casos, está sendo humanizada, isto é, historicizada.
Esta é uma história fundamental. Nela, revelam-se tanto o colonialismo e o imperialismo quanto o nativismo e o nacionalismo. Aqui, revelam-se os ciclos, as lutas, as realizações e as perspectivas que constituem a Amazônia. Assim se podem visualizar as configurações e os movimentos que a inserem no mapa do Brasil e no mapa do mundo” (IANNI, 2004, p. 7- 8). 
IANNI, Octavio. Apresentação. IN; O paiz do Amazonas. SILVA, Marilene Corrêa da. Manaus: Editora Valer/Governo do Estado do Amazonas/Uninorte, 2004. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário