segunda-feira, 21 de março de 2016




De onde vem nossa necessidade de lembrar? Ou: por que a lembrança se impõe até mesmo quando não temos intenção de recordar? A resposta a essa pergunta nos remete à poética sugestão de Walter Benjamin (2004) que afirma

“A memória não é um instrumento para a exploração do passado; é, antes, o meio. É o meio onde se deu a vivência, assim como o solo é o meio sutil no qual as antigas cidades estão soterradas. Quem pretende se aproximar do próprio passado soterrado deve agir como o homem que escava” (BENJAMIN, Walter. Obras escolhidas II – Rua de mão única. São Paulo: Brasiliense, 2004).

Como afirma Pollack, “a memória é um fenômeno construído social e individualmente, quando se trata da memória herdada, podemos também dizer que há uma ligação fenomenológica muito estreita entre a memória e o sentimento de identidade. [...] É a imagem que uma pessoa adquire ao longo da vida referente a ela própria, a imagem que ela constrói e apresenta aos outros e a si própria, para acreditar na sua própria representação, mas também para ser percebida da maneira como quer ser percebida pelos outros. [...] Podemos, portanto, dizer que a memória é um elemento constituinte do sentimento de identidade, tanto individual como coletiva, na medida em que ela também é um fator extremamente importante do sentimento de continuidade e de coerência de uma pessoa ou de um grupo em sua reconstrução de si” (POLLACK, Michael. Memórias e identidade social – Estudos históricos. Rio de Janeiro, vol. 5, n. 10, 1992, p. 204). 




segunda-feira, 7 de março de 2016






http://www.taquiprati.com.br
Manaus, Segunda-feira, 07 de março de 2016





DO ORGULHO E DA VERGONHA DE SER AMAZONENSE
José Ribamar Bessa Freire
14/08/2005 - Diário do Amazonas

.É natural que um caboco amazonense - como nós, leitor (a) - sinta orgulho quando o nosso estado se projeta no cenário nacional. O poeta Luiz Bacellar, tocando sua frauta de barro, ganhou prêmio em 1959, num concurso nacional de poesias realizado no Rio de Janeiro com elogios de Manuel Bandeira e Carlos Drummond. Foi uma grande alegria no antigo bairro dos Tocos, só comparável quando uma menina catarrenta que morava em frente da igreja, a irmã do Manuelzinho Morango, ganhou outro concurso – o de miss Brasil. Na época, o Armando português, do Bar da Bica, tinha uma taberna na esquina da Xavier com a Carolina e soltou o maior foguetório, de madrugada, acordando todo mundo.
De lá para cá, vários poetas, escritores, músicos, cineastas, artistas plásticos, cientistas e políticos se destacaram dentro e fora do Brasil: Cláudio Santoro, Thiago de Mello, Márcio Souza, Luis Lana, Milton Hatoun, Samuel Benchimol, Rita Loureiro, Djalma Limongi Batista, Almino Afonso, Arthur Virgilio Filho, entre outros. O Luiz Lana, desana do alto rio Tiquié, foi editado na Espanha. O Djalma, quando apresentou seu filme em Paris, ganhou uma página do ‘Le Monde', sendo comparado a Glauber Rocha. O Thiago e Márcio, então, nem falar.
Sentimos orgulho, porque esses autores nos permitem tirar uma casquinha do reconhecimento nacional e, às vezes internacional, que obtiveram. Eles expressam o que a gente sente, pensa, sofre, fala, sonha, enfim, a nossa alma coletiva. Se eles são bons, é porque nós também o somos. Assim, de certa forma, quem abiscoitou todos esses prêmios fomos nós, através deles, de suas obras. Quando parte do Brasil se curva, por exemplo, diante do Bacellar, está reverenciando a dona Maristella, sogra do Tuta, que acaba de falecer, o Zezinho Vitamina, o seu Geraldo dos Papagaios, a Leonor, o Rubi Rola, o Aguimar, a finada Luzia, o Petel, o Nego Valdir, os becos de Aparecida, você , leitor (a), e todos nós.
A vergonha
Mas isso é, na realidade, uma faca de dois ‘legumes', porque se esse orgulho é natural, também é natural que a gente sinta vergonha e humilhação, quando o Amazonas é excluído da geleia geral brasileira. A afronta ainda é maior se o Pará está nas paradas e nós ficamos de fora. Aí, então, a frustração é completa. É o que está acontecendo agora, por exemplo, com o valerioduto, onde o Pará continua na vanguarda e o Amazonas na rabiola.
Dois paraenses ficaram nacionalmente célebres, porque apareceram na lista ao lado de nomes de políticos, advogados, marqueteiros e funcionários públicos que receberam muita grana através do esquema operado por Marcos Valério e Delúbio Soares. Nessas listas, divulgadas pelas CPIs do Mensalão, dos Correios e do Bingo, figuram paulistas, mineiros, gaúchos, catarinenses, cariocas, baianos, pernambucanos, cearenses e até – quanta inveja ! – os dois citados paraenses. A bufunfa, carregada em malas, cuecas e sutiãs, foi distribuída entre todos eles. No entanto, os amazonenses foram vítimas de odiosa discriminação.
Cada dia, com a respiração suspensa, aguardamos o Jornal Nacional , esperando que anuncie um nome do Amazonas – unzinho só - e necas de pitibiribas. O que está acontecendo, minha santa Etelvina? Por que estamos sendo excluídos dessa farra generalizada, desse banquete em que todos estão se locupletando, menos nós? Falta de experiência e de know-how com certeza não é. Alguns dos nossos parlamentares têm vocação e jeito para a coisa, demonstrando com sua biografia, sua folha corrida e sua vida pregressa, de que são ágeis e capazes de obter rapidamente – digamos assim – capital de giro.
É o caso do deputado Pauderney Avelino (PFL – viche! viche!). Esse caboco de Eirunepé, que saiu lá do rio Juruá para Manaus, montou uma empresa de construção, se elegeu deputado e hoje está modestamente escondido no anonimato, mas no passado já teve projeção nacional. Há oito anos, em maio de 1977, ele apareceu nos telejornais nacionais, na gravação de uma conversa, na qual os deputados Ronivon Santiago e João Maia, ambos do Acre e do PFL (Viche! Viche!), confessavam ter recebido R$ 200 mil para votar a favor da emenda que permitiu FHC se re-eleger. Segundo a conversa, Pauderney Avelino e Luis Eduardo Magalhães (PFL/Ba – viche! viche!) eram os intermediários das “negociações”.
O homem da mala
Quer dizer, Pauderney teria sido, de acordo com a denúncia da gravação, o homem da mala. Tudo era combinado com o então ministro das Comunicações, Sérgio Motta, amigo de Fernando Henrique Cardoso e principal articulador político do presidente. Cabia aos então governadores do Amazonas, Amazonino Mendes (PFL – viche! viche!) e do Acre  Orleir Cameli (PFL – viche! viche!), efetuar o pagamento. Na conversa registrada na fita, Ronivon dizia que mais três parlamentares (Osmir Lima , Chicão Brígido e Zila Bezerra, todos de estados da região Norte e do PFL) tinham vendido seus votos.
A coisa não foi investigada, porque os envolvidos na história e seus partidos políticos conseguiram brecar a CPI da corrupção, com as renúncias de João Maia e Ronivon ao mandato de deputado federal. É bem provável que se a oposição tivesse conseguido criar a CPI, quebrando o sigilo bancário dos envolvidos, o esquema de corrupção que hoje abala a nação teria sido desmontado naquele momento. Veríamos, então, a exposição de nossos compatriotas do Amazonas na mídia, eles teriam seu momento de glória e passaríamos a perna nos paraenses.
Na atual crise do país, no entanto, não há registro até agora de amazonenses na lista do valerioduto. Nenhum deles trouxe dinheiro para investir no Amazonas. Ao contrário, permitiram que alguém de fora, o pastor-deputado, João Batista (PFL- Viche! Viche!), fosse a Manaus e enchesse sete malas com mais de 10 milhões de reais dos dízimos arrecadados pela Seita Igreja Universal do Reino de Deus. Uma humilhação para todos nós.
Desculpas esfarrapadas foram apresentadas para explicar essa falta de iniciativa e criatividade dos amazonenses nesse campo, que não aparecem sequer na lista da Geane, a organizadora de encontro de parlamentares com garotas de programa. No domingo passado, o próprio Pauderney Avelino, em entrevista a esse Diário do Amazonas, se desculpava, alegando que havia se tornado honesto. Falava como um paladino da honra e da probidade. Parecia a madre Teresa de Calcutá. Políticos, como Pauderney, não tem qualquer legitimidade para condenar o esquema de corrupção.
P.S. – O que é imperdoável na quadrilha formada pelo Careca e pelo Delúbio Soares (PT – Viche! Viche!) é que o valerioduto igualou o PT do Delúbio ao PFL, me obrigando, por coerência, a colocar um `viche-viche`, depois de mencionar o Partido que ajudei a fundar e do qual fui duas vezes presidente no Amazonas.

domingo, 6 de março de 2016



José Benedito Dos Santos
TEUS OLHOS NEGROS - José Benedito Dos Santos
Relação amorosa desfeita,
Tem como resíduo a dor.
Conclusão: mil lágrimas derramadas,
por alguém que me machucou.
Os teus olhos negros,
na minha, vida eram vitais.
Tu eras o meu porto seguro, o farol.
Eras o tempo da minha poesia apaixonada,
Sentimentos que não voltam mais.
A falta de tempo para amar.
Tempos velozes
Afogaram amores proibidos.
O que restou de nós
Dois corações magoados.

Agosto abrasador,
Amar e Esquecer.
Cerveja engolida sofregadamente
para disfarçar a dor.
Teus olhos negros,
Tua boca carnuda,
Teu corpo suado,
Teu sexo avantajado,
Teus beijos molhados,
Deixou como legado:
Abandono, Solidão, Dor.
Tarde de Janeiro sombria
Horas melancólicas,
Palavras ásperas,
Tapas trocados,
Lágrimas recolhidas.
Chove na Praça,
Marcando o fim do amor marginal!
Felicidade passageira,
Insuficiência amorosa permeada,
por tempos velozes.
Tempo e Silêncio,
As marcas dos amores marginais!
O teu corpo moreno
Presidiário do amor anônimo,
Faz-me recordar o Natal na aldeia,
O poema escrito a quatro mãos.
Porém, a chuva e a Praça,
Dizem: sinceramente, valeu enquanto durou......