segunda-feira, 21 de março de 2016




De onde vem nossa necessidade de lembrar? Ou: por que a lembrança se impõe até mesmo quando não temos intenção de recordar? A resposta a essa pergunta nos remete à poética sugestão de Walter Benjamin (2004) que afirma

“A memória não é um instrumento para a exploração do passado; é, antes, o meio. É o meio onde se deu a vivência, assim como o solo é o meio sutil no qual as antigas cidades estão soterradas. Quem pretende se aproximar do próprio passado soterrado deve agir como o homem que escava” (BENJAMIN, Walter. Obras escolhidas II – Rua de mão única. São Paulo: Brasiliense, 2004).

Como afirma Pollack, “a memória é um fenômeno construído social e individualmente, quando se trata da memória herdada, podemos também dizer que há uma ligação fenomenológica muito estreita entre a memória e o sentimento de identidade. [...] É a imagem que uma pessoa adquire ao longo da vida referente a ela própria, a imagem que ela constrói e apresenta aos outros e a si própria, para acreditar na sua própria representação, mas também para ser percebida da maneira como quer ser percebida pelos outros. [...] Podemos, portanto, dizer que a memória é um elemento constituinte do sentimento de identidade, tanto individual como coletiva, na medida em que ela também é um fator extremamente importante do sentimento de continuidade e de coerência de uma pessoa ou de um grupo em sua reconstrução de si” (POLLACK, Michael. Memórias e identidade social – Estudos históricos. Rio de Janeiro, vol. 5, n. 10, 1992, p. 204). 




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