De onde vem nossa necessidade de lembrar? Ou: por que a lembrança
se impõe até mesmo quando não temos intenção de recordar? A resposta a essa
pergunta nos remete à poética sugestão de Walter Benjamin (2004) que afirma
“A memória não é um instrumento para a exploração do
passado; é, antes, o meio. É o meio onde se deu a vivência, assim como o solo é
o meio sutil no qual as antigas cidades estão soterradas. Quem pretende se
aproximar do próprio passado soterrado deve agir como o homem que escava” (BENJAMIN,
Walter. Obras escolhidas II – Rua de
mão única. São Paulo: Brasiliense, 2004).
Como afirma Pollack, “a
memória é um fenômeno construído social e individualmente, quando se trata da memória
herdada, podemos também dizer que há uma ligação fenomenológica muito estreita
entre a memória e o sentimento de identidade. [...] É a imagem que uma pessoa
adquire ao longo da vida referente a ela própria, a imagem que ela constrói e
apresenta aos outros e a si própria, para acreditar na sua própria
representação, mas também para ser percebida da maneira como quer ser percebida
pelos outros. [...] Podemos, portanto, dizer que a memória é um elemento
constituinte do sentimento de identidade, tanto individual como coletiva, na
medida em que ela também é um fator extremamente importante do sentimento de
continuidade e de coerência de uma pessoa ou de um grupo em sua reconstrução de
si” (POLLACK, Michael. Memórias e
identidade social – Estudos históricos. Rio de Janeiro, vol. 5, n. 10,
1992, p. 204).
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