quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

FRAGMENTOS....



Por José Benedito dos Santos

Escrever para algumas pessoas se parece com um gracioso jogo de palavras, um brincar com os significados que elas têm, já para outras, torna-se um grande desafio. No meu caso específico, a dificuldade de relatar minhas experiências com a palavra escrita, reside no fato de que eu nunca registrei no papel os fatos mais relevantes corridos ao longo de 50 anos da minha existência.
Nasci numa cidadezinha do interior de Alagoas, Região Nordeste, a qual tem o maior índice de analfabetos do Brasil. Para quem nasceu ali, saber ler e escrever, infelizmente, ainda é considerado um privilégio de poucos. No filme "Central do Brasil" (1998), Dora, personagem vivida pela atriz Fernanda Montenegro, lê e redige cartas para pessoas que não sabem ler e nem escrever. Inúmeras cenas do filmes exemplificam muito bem a condição de analfabetismo de uma considerável parcela da população nordestina.
Minha mãe era analfabeta, porém fazia com que os seus filhos estudassem para ser "alguém na vida". Por conta dessa preocupação, quando entrei na escola já sabia soletrar, ler e escrever as primeiras letras da cartilha. Além disso, minha avó era uma ótima contadora de histórias. Ela tinha uma enorme habilidade para contar as histórias fantásticas dos folhetins da literatura de Cordel. Que talento ela possuía para contar essas histórias, com seu jeito admirável de falar, dar vozes aos personagens. Eu passava horas ouvindo histórias de princesas que dormiam durante cem anos, de príncipes que viravam sapos, as façanhas de Lampião, a lenda do Pavão Misterioso... Ouvir essas histórias narradas por minha avó, era uma delícia. Essas narrativas orais da minha infância aguçaram o meu interesse pelo reino das palavras.
Na pequena escola que havia na fazenda onde minha família morava, os alunos estudavam até a terceira série. Se alguém quisesse estudar mais um pouco, teria que se deslocar até a cidade, que ficava distante da fazenda a cerca de dois quilômetros. Para que eu pudesse cursar a quarta série, minha mãe escolheu uma boa escola na cidade.
No primeiro dia de aula, a professora de Língua Portuguesa pediu que a turma escrevesse uma redação narrando as aventuras ocorridas nas férias. Num primeiro momento fiquei tenso. Mas, em seguida, chamei a professora e disse que eu não tinha assunto para escrever o texto. Ela ficou meio decepcionada, porém não disse nada.
Alguns meses depois, a mesma professora pediu que a turma fosse à biblioteca da escola e que cada um de nós escolhêssemos um livro de aventura para ler. A obra escolhida por mim foi "As Vinte Mil Léguas Submarinas" de Julio Verne, que tem como personagens o Capitão Nemo e o submarino Nautillus. A partir da leitura desse livro, comecei a alimentar o sonho de viajar pelo mundo e conhecer pessoas que falassem outras línguas.
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Em julho de 1980, minha mãe veio a falecer. Chorar a morte daqueles que amamos, é o que resta para os que ficaram na periferia da vida. Além de equilibrar a dor, a saudade, com as lições de vida que essa pessoa nos legou. Entretanto, essa estratégia não funcionou comigo. Recorri à produção de textos, a qual me serviu como válvula de escape para liberar a dor pela morte repentina de minha mãe. Escrevia compulsivamente para não enlouquecer. Nessa fase, imitei Álvares de Azevedo, pois o tema que brotava de cada texto era o da morte. Isso parece mórbido talvez, mas funcionou como terapia.
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Em agosto de 1983, resolvi sair de Alagoas, pois a atmosfera provinciana de Maceió estava me sufocando. Larguei o emprego de balconista numa loja de produtos para panificadora e, com o dinheiro da rescisão de contrato, comprei uma passagem só de ida para Porto Velho-Rondônia. No dia 13 de agosto, num sábado à tarde, despedi-me da minha família, dos amigos e embarquei no avião da VASP, rumo ao desconhecido.
Ao desembarcar em Porto Velho, após 12 horas de voo, finalmente, eu estava realizando o sonho de conhecer a Amazônia. Sonho esse acalentado desde que fui "fisgado" pelas histórias narradas por alguns amigos da minha família que trabalharam na construção da Transamazônica na década de 70. Quando eles retornaram para Alagoas, relataram histórias fantásticas sobre o tamanho dos rios, da floresta, da estrada...
Ao longo dos três anos em que morei na cidade de Porto Velho, procurei ler autores/obras da região. Os primeiros romances que li, foram: "Mad Maria" e "Galvez, Imperador do Acre", de Marcio Souza.
Cansei da vidinha que estava levando em Porto Velho, resolvi conhecer Roraima. Cheguei em Boa Vista em Abril de 1986. Após três dias em busca de emprego, finalmente, consegui uma vaga de Apontador de Campo, na Constutora Mendes Jr., pois a mesma estava construindo a Usina Hidroéletrica de Roraima. No final de maio, começou o período das chuvas, todos os funcionários foram demitidos. E, por esse motivo, no dia 22 de junho, peguei um avião em Boa Vista, uma hora depois, eu desembarcava no Aeroporto Internacinal Eduardo Gomes, em Manaus.
Cheguei em Manaus com pouca grana, por isso resolvi dormir na Rodoviária até conseguir um trabalho. Durante quinze dias, o banco de madeira, sujo, áspero, gasto pelo tempo, foi a minha cama. As quatro horas da manhã, o segurança pedia que eu me levantasse. No décimo quinto dia, consegui um emprego. O fato de eu ter trabalhado na Mendes Jr., em Roraima, ajudou-me bastante. Fui trabalhar numa construtora, mais um vez, como Apontador de Campo.
No primeiro dia de trabalho, conheci uma quantidade enorme de nordestinos que trabalhavam na empresa. Dois dias depois, fiz amizade com um rapaz, que era maranhense. Na hora do almoço, ele me perguntou onde eu morava. Respondi-lhe que estava dormindo na Rodoviária. Ele num gesto de boa vontade me convidou para dormir em sua casa. Todavia, quando recebi o salário da primeira quinzena, aluguei um quarto. A partir daí comecei organizar minha vida.
Em setembro de 1986, prestei concurso para os Correios. Fui aprovado em primeiro lugar para exercer o cargo de carteiro. Trabalhei nos Correios durante sete anos. Em 1993, fui demitido. Com uma parte do dinheiro da rescisão de contrato, comprei uma casa, no bairro da Alvorada I.
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Em 1996, depois de 14 anos sem estudar, resolvi voltar à sala de aula, para me atualizar e, futuramente ingressar na Universidade. Refiz as três séries do Ensino Médio(1996-1998). O sonho de ingressar na universidade teve que ser adiado por dois anos, pois na época da inscrição do vestibular, eu sempre estava sem dinheiro.
Em 2001, finalmente, prestei vestibular na Universidade Federal do Amazonas e fui aprovado no Curso de Letras-Língua Portuguesa. A minha escolha pelo Curso de Letras teve como objetivo ampliar os meus conhecimentos em literatura e, principalmente, na produção textual. Já no primeiro período da graduação, tive a grata surpresa de ter como professor Odenildo Sena, na disciplina "Comunicação em Prosa Moderna I". Ao produzir os meus primeiros textos, e ao apresentá-los na sala de aula, obtive uma ótima recepção por parte da turma e do mestre. Foi uma verdadeira massagem para o meu ego de aspirante a escritor. Porém, na avaliação intermediária da referida disciplina cometi uma gafe, quando escrevi "A maioria são...." Odenildo Sena não perdoou e escreveu "O que é isso, companheiro?" Foi a segunda trapaça que a palavra escrita me aprontou.
O meu último encontro acadêmico com a palavra escrita foi no Curso de Especialização em Língua Portuguesa com Ênfase em Produção Textual. Ao iniciar a minha produção de textos, levei algum tempo para me adequar à maneira como o professor queria que os mesmos fossem escritos na fôrma/forma de parágrafo-padrão. Todavia, fui capaz de produzir dezessete textos-filhos, os quais pari, e este foi o último rebento daquela numerosa prole. Mas também foi o que mais me causou dor/angústia/ansiedade/insônia, pois se tratava das minhas experiências com palavra escrita. Em outras palavras, para alguém que é formado em Letras, revelar publicamente que tem dificuldade para escrever, é meio constrangedor, já que é prática comum entre os professores de Língua Portuguesa reclamar, diariamente, que os seus alunos não sabem ler e nem escrever.
Nossas memórias, por mais que sejam escritas na solidão, nunca são as lembranças de uma única pessoa. Tudo que nos vem ao pensamento, sejam ideias, sejam simples anotações guardadas em alguma gaveta, estão repletas de experiências pessoais de familiares, amigos, até mesmo de pessoas desconhecidas, que em determinado momento de suas vidas, compartilharam conosco suas alegrias e tristezas. São histórias que pulsam à nossa frente, para que as recolhamos, atribuindo-lhes vidas através do sopro da escrita.
Como diria D. Juan, personagem dos livros de Carlos Castañeda "estou longe do céu onde nasci, uma imensa nostalgia invade o pensamento. Agora que estou tão só e triste, qual a folha ao vento, às vezes quero chorar, às vezes quero rir de saudade". Essa perspectiva, a do passado, no ato de ser rememorado, perde sua pureza de ter sido e torna-se presente. As experiências ocorridas no passado, ao serem lembradas, não podem ser recuperadas na sua integridade, porque se transformaram no decorrer do tempo. O que resta, portanto, é apenas o presente existencial, convergência do passado modificado pela memória.
Este é o relato da volta de um homem, após longos anos de existência, à memória de sua infância, adolescência... Uma dolorosa viagem da memória a uma ilha esquecida para resgatar a importância da leitura e da escrita na sua formação como ser humano. E, contudo, essas memórias já não são as minhas memórias. O tempo flui nelas, arrasta-as. Portanto, já não são as mesmas experiências de quando as vivi; pois a fugacidade do tempo e o fatal envelhecimento do humano fragmentaram essas lembranças no tempo e no espaço.



quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

MEMORIAL DO CONVENTO -José Saramago

"Memorial do Convento" é um romance histórico que narra a construção do convento de Mafra, do ponto de vista das camadas populares. O autor dá trato ficcional a certos fatos e personagens históricos. A ação se passa entre 1707 e 1740 em Lisboa e em Mafra. O casal Blimunda e Baltasar são as principais personagens. Blimunda, de ascendência judia, tem poderes mágicos: ao amanhecer, em jejum, consegue de olhos fechados ver através de objetos e enxergar a alma, a "vontade" das pessoas.

Baltasar Mateus, dispensado do exército por ter perdido a mão, usa ora um gancho, ora um espigão, e tem a alcunha de Sete-Sóis. Sua família reside em Mafra. Paralelamente à construção do convento, que simboliza tudo o que é pesado e doloroso para os homens, o romance narra a construção da "passarola", que é uma máquina voadora, idealizada pelo padre Bartolomeu Lourenço de Gusmão, apelidado de Voador. O padre, nascido no Brasil, é um sábio jesuíta, amigo do rei e também de Baltasar e Blimunda.
É de notar que existiram de fato o padre e sua "passarola", que na época não obteve sucesso e por causa da qual ele foi satirizado. De qualquer modo, ficcionalmente, no romance a "passarola"em oposição ao convento, simboliza a leveza, os sonhos, e a alegria. Para voar, o padre necessita dos poderes de Blimunda, para recolher em frascos a etérea expiração dos moribundos. Baltasar, Blimunda e padre Lourenço recebem a visita do músico Scarlatti, também personalidade histórica.
Estando, a certa altura, adiantado o trabalho da máquina, padre Lourenço utiliza-a para fugir da Inquisição. Voa, com Baltasar e Blimunda, na "passarola" até um lugar próximo de Mafra. Depois de pousar, o padre foge, já meio louco. Baltasar e Blimunda ocultam a "passarola"entre as folhagens. Ele emprega-se nas obras do convento, enquanto Blimunda trabalha nas tarefas domésticas na casa dos pais de Baltasar.
Tempos depois, vistoriando a máquina, Baltasar, por acidente, solta-a, sai voando e desaparece pelos ares. Blimunda, então, passa a procurar o amado até encontrá-lo, depois de dez anos, num auto-de-fé, em que estava sendo queimado pela Inquisição.
















A VIOLÊNCIA CONTRA AS MULHERES AMAZONENSES


Por José Benedito dos Santos

A mulher é a melhor coisa que Deus criou, diz o senso comum masculino. Mas, um mergulho mais profundo na realidade das mulheres amazonenses revela um quadro assustador: no ano de 2006, quarenta e três mil mulheres foram vítimas da violência dos homens.
Não é segredo para ninguém que a violência contra as mulheres amazonenses, infelizmente, cresce escandalosamente nas estatísticas e silenciosamente em milhares de famílias a cada ano no Amazonas. De janeiro a outubro de 2006, mais de 43 mil mulheres foram vítimas dos mais variados tipos de violência. Entretanto, o número real dessa violência é bem maior, já que a maioria das mulheres agredidas não denuncia seus agressores porque, em muitos casos, eles são os próprios maridos, companheiros, namorados ou amantes.
Exatamente como um saco de pancadas, as mulheres amazonenses têm sido vítimas de espancamentos, estupros e assassinatos. Ser mulher no Amazonas, frente a frente com uma sociedade extrmamente conservadora e machista, é ser, a priori, discriminada, espancada e humilhada. Comparamos a violência do homem amazonense com a dos homens das cavernas que arrastavam suas mulheres pelos cabelos.

Nesse sentido, a violência contra as mulheres vem sendo passada de geração para geração, e praticada por homens de todas as classes sociais, inclusive, a mesma é reforçada pela herança cultural, através da qual veicula-se a falsa ideia de que as mulheres gostam de apanhar. Esse comportamento só vem confirmar que o homem, no decorrer de milênios de sua história, tem provado possuir uma natureza profundamente machista e violenta, que persiste independentemente das alterações dos papéis femininos e masculinos na sociedade contemporârea.
Resta saber por quanto tempo mais as mulheres amazonenses continuarão sendo vítimas da violência dos próprios companheiros. Trata-se, portanto, de uma realidade com a qual, não podemos mais conviver. É necessária a existência de um instrumento como a Lei Maria da Penha para inibir a violência masculina. Além de contribuir na luta por uma sociedade mais justa, sem violência, em que as mulheres sejam respeitadas e tratadas em pé de igualdade com os homens.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

O CONTROLE DE NATALIDADE NO BRASIL



Por José Benedito dos Santos


Discute-se, com muita frequência, acerca do controle de natalidade no Brasil. Muitos aspectos devem ser analisados na abordagem dessa questão.

Os defensores do controle de natalidade argumentam que ele se faz necessário, pois grande parte da população brasileira vive abaixo da linha de pobreza. Por essa razão, o governo deve possibilitar às famílias carentes os mecanismos necessários para o planejamento de sua prole. Dessa forma, os pais, impedindo o crescimento exagerado de cada família, teriam melhores condições de vida. Eles alegam que o crescimento da população no Brasil, dificulta o desenvolvimento econômico, já que induz o país a desviar investimentos para setores menos produtivos como, por exemplo, saúde, segurança e saneamento básico. Por conta disso, o Brasil deveria desenvolver uma rígida política de natalidade.
Outros, porém, argumentam que o problema do crescimento da população está ligado à irregular distribuição das riquezas produzidas no país, que não permite à mulher o acesso à educação e à saúde. Eles alegam também que o controle de natalidade, por exemplo, recai muito mais sobre as mulheres negras do que nas brancas, pois as negras são maioria nas populações-alvos. Por essas razões, combatem o controle de natalidade, defendendo o direito das mulheres às informações, melhoria da sua condição social, liberdade para tomar decisões próprias, inclusive no campo da reprodução.
Embora o país não tenha uma política de controle de natlidade bem definida, eles denunciam que as ações que permeiam a saúde pública, no Brasil, vêm de encontro ao controle de natalidade, principalmente na Região Norte e Nordeste, onde os programas são aplicados à revelia das mulheres negras e brancas pobres dessas regiões. Diante disso, o Brasil deve promover a igualdade econômica e justiça social.
Por todos esses aspectos,percebemos o quanto é difícil nos posicionarmos categoricamente contra ou a favor do controle de natalidade no Brasil. Enquanto esse assunto é motivo de discussão, só nos resta esperar que o governo contribua para a melhoria da condição social da mulher, através de uma melhor educação, maior capacitação profissional e ampliação das oportunidades de empregos, não importando que essas mulheres sejam nortistas, nordestinas, negras, brancas. Isso, se faz necessário para que haja a igualdade econômica e justiça social para essas cidadãs procedentes das camadas mais sacrificadas da sociedade brasileira.

domingo, 10 de janeiro de 2010

Os PROBLEMAS QUE AFETAM MANAUS



Por José Benedito dos Santos

A maioria dos administradores que cuida da cidade de Manaus preocupa-se muito mais com a discussão dos mecanismos que os fazem continuar no poder do que com os reais problemas que afetam a população e a nossa cidade.

A examinarmos algumas das causas dessa questão, verificaremos que o espaço urbano de Manaus apresenta inúmeros problemas, os quais dificultam o trânsito de pedestre pelas ruas de nossa cidade. Podemos mencionar, por exemplo, a ocupação das calçadas pelos proprietários de estabelecimentos comerciais, ruas esburacadas, frota de ônibus sucateada e a construção de novos viadutos.
Em consequência disso, vemos, a todo instante que, os donos de lojas, restaurantes, entre outros,ocupam as calçadas, espaço esse que é um dos poucos onde o pedestre pode andar, teoricamente, tranquilo. Acrescente-se a isso, os milhares de buracos existentes nas ruas de Manaus. Os serviços de tapa-buracos nunca dão conta deles. Cobre-se um aqui, surge outro mais adiante. E quando se conserta este, o anterior já se abriu. Em função disso, os pedestres andam olhando para o chão com receio de torcer o pé, e os motoristas têm que lidar diariamente com os solavancos e carros danificados.
Não é segredo para ninguém que o transporte urbano de Manaus sempre esteve, continua aquém da demanda de passageiros. O mesmo continua demorado, em pouca quantidade, com uma frota sucateada. Apesar de todos esses transtornos, nos finais de semana, o número de ônibus circulando na cidade diminui pela metade.
E, além do mais, a construção dos viadutos na Avenida Efigênio Salles e na Bola do Coroado tem causado vários transtornos para os manauaras, especialmente,para os motoristas e as pessoas que trabalham e/ou estudam nas proximidades dessas obras. É congestionamento para tudo que é lado. Parece banal, mas os manauaras já começam enfrentar engarrafamento de um quilômetro no horário do "rush." Sofre o motorista, preso em seu carro com ar-condicinado. Sofre o trabalhador que enfrenta congestionamento na ida e na volta do trabalho. Além de pagar a passagem de ônibus mais cara do país.
Por tudo isso, só nos resta admitir que a existência de problemas no espaço urbano de Manaus somente agrava o mal-estar da população e afeta a imagem da própria cidade. Fazem-se, portanto, necessárias algumas medidas por parte das autoridades, no sentido de devolver as calçadas aos pedestres, consertar os buracos das ruas, renovar a frota de ônibus e agilizar o término da construção dos viadutos, pelo bem da circulação das pessoas e dos veículos. Afinal, devemos estabelecer um diálogo afetivo com nossa cidade. Manaus é nossa casa, seja para quem nasceu aqui, ou para quem a escolheu para viver.

A CRÔNICA

A Crônica é um pequeno conto, de enredo indeterminado. Ao lado disso, é redigida de forma livre e pessoal. Tem como objetivo discorrer sobre determinado assunto ou alguém. Sua versatilidade alcança a reflexão irreverente ou as narrativas do cotidiano. Descompromissada com estilos, ela capta flagrantes do dia a dia, no que ele pode oferecer de prosaico, inusitado. Por sua linguagem diversificada passam o humor anedótico, a preocupação existencial, a visão lírica ou o desabafo social. A subjetividade caracteriza a maior parte das crônicas. Assim, na crônica, prevalece o desprendimento estilístico e um mosaico de ideias. Seu único imperativo é a criatividade. Um assunto não se esgota; as abordagens se multiplicam; as impressões se diferencim ; as cores se renovam e cada texto é único.

O BRASIL NÃO É UM PAÍS SÉRIO


Por José Benedito dos Santos

"O Brasil não é um país sério." A frase dita por Charles de Gaulle, ex - presidente da França em visita ao Brasil, na década de sessenta, nos faz alimentar a crença de que não é exatamente Deus, mas a corrupção que é natural do Brasil. Tem-se a impressão de que, talvez por alguma maldição satânica, desde o século XVI até os dias atuais, a elite política brasileira aprendeu tudo o que a humanidade inventou na arte de tirar vantagem, lesar o patrimônio público e burlar a lei por uma boa soma em dinheiro. No Brasil, na atualidade, a administração pública, em todos os níveis, é cada vez mais permeável ao dinheiro fácil da imoralidade. Na sociedade civil, da mesma forma, a lei do "salve-se quem puder"ganha espaço e os cidadãos procuram resolver seus problemas através do já conhecido "jeitinho brasileiro" sempre que encontram dificuldades na forma legal. Portanto, é óbvio que isso tem que mudar. O Brasil só se tornará um país sério quando colocar a corrupção nos níveis de primeiro mundo.

A SOLIDÃO HUMANA


Por José Benedito dos Santos

A atual e crescente índice da solidão humana é notável e compreensível. Notável porque se dá numa época em que raramente as pessoas são afetuosas entre si - cenas cada vez mais raras neste tempo de descrença e superficialidade, em que as pessoas já não apostam na possibilidade de construção de histórias, de elaboração dos sentimentos, temos medo de fazer novas amizades, de amar... Talvez por isso estejamos cada vez mais solitários e vazios - tudo é efêmero : os diálogos, os relacionamentos, as amizades. Compreensível porque a solidão tornou - se marca registrada do homem moderno, pois as engrenagens mesquinhas do cotidiano e o conformismo colaboram para que as pessoas vivam como autômatos. Dessa forma, recuperar o sentido da fraternidade e o amor é condição imperativa para reconstruirmos a vida. Apesar desses valores não serem a regra, ainda é possível contemplar exemplos de ternura e afetividade - seres humanos que vivem o desafio cotidiano de cativar e cultivar as relações interpessoais.

MIGRAÇÃO NORDESTINA EM MANAUS



Por José Benedito dos Santos


O problema da migração nordestina em Manaus é resultado de três causas essenciais : as secas, a grande propriedade e a falsa propaganda de migração. A escassez de chuva e a falta de irrigação da lavoura no sertão nordestino acarretam uma baixa produção de alimentos, que não supre as necessidades comerciais e muito menos o consumo da população local. Ao lado disso, os trabalhadores do campo, empregados de grandes latifúndios, são demitidos nas épocas de seca e, por não terem uma terra a que se prendam, sonham em viver em outro lugar, de emprego fácil e de fartura. Acrescenta - se a essa situação a falsa propaganda de migração, criada pelos próprios migrantes e por alguns meios de comunicação, segundo a qual a vida nas grandes cidades como Manaus é possível arranjar um bom emprego, que, para muitos, significa a oportunidade de acumular dinheiro para comprar um pedaço de terra, quando voltar ao seu estado de origem. Portanto, são necessárias algumas medidas para fixar o homem nordestino em sua regão. Assim esse cidadão encontraria, com certeza, melhores condições de vida.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

PRECONCEITO RACIAL


Por José Benedito dos Santos


Por que existe, afinal, o preconceito racial no Brasil? Existe, com certeza, para negar aos negros iguais oportunidades em atividades econômicas, sociais e políticas. A mulher negra no Brasil, por exemplo, é triplamente discriminada como mulher, como negra e como pobre, por todos os setores da sociedade, inclusive o cultural, atrávés do qual veicula - se a imagem de um ser humano anulado. A mulher negra é sempre associada à empregada doméstica ou à " boa de cama." Além disso, são gritantes as diferenças, como consequência : a negra ganha menos que a branca, encontra - se no último degrau da escala social e são enormes as desigualdades em termos de Educação e Saúde. O controle de natalidade, por exemplo, recai muito mais nas mulheres negras do que nas brancas, pois as negras são maioria nas populações - alvos. Assim, o mito da igualdade racial cai por terra, ou seja, igual, mas nem tanto.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

A PERSONALIDADE HUMANA



Por José Benedito dos Santos

Ela pode ser bondosa, invejosa e indiferente. Calma... não é a mulher fatal, é a personalidade humana. É bondosa quando as pessoas são os secretários perfeitos, assistentes, companheiros. Mas têm uma enorme falha: não conseguem funcionar sozinhas. Entregues a si mesmas, perecem. É invejosa quando as pessoas não são nem um pouco simpáticas. São mesquinhas, vingativas, ciumentas, autocentradas. Falam exclusivamente sobre si mesmas e em geral esperam que as pessoas se enquadrem em seus padrões. Sua falha fatal é que matariam para ser líderes. É indiferente quando as pessoas não são simpáticas e nem desagradáveis. Não servem e não se impõem a ninguém. Têm uma ideia exaltada acerca de si mesmas derivada unicamente de divagações de pensamento desejoso. Se são extraordinárias em alguma coisa, esperam que as coisas aconteçam. Sob essa perspectiva, podemos até mesmo considerar espantoso que, a raça humana se enquadrem em apenas três categorias de personalidades . Assim, estamos aprisionados numa dessas categorias para a vida toda, sem esperança de mudança ou redenção.