quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

MEMORIAL DO CONVENTO -José Saramago

"Memorial do Convento" é um romance histórico que narra a construção do convento de Mafra, do ponto de vista das camadas populares. O autor dá trato ficcional a certos fatos e personagens históricos. A ação se passa entre 1707 e 1740 em Lisboa e em Mafra. O casal Blimunda e Baltasar são as principais personagens. Blimunda, de ascendência judia, tem poderes mágicos: ao amanhecer, em jejum, consegue de olhos fechados ver através de objetos e enxergar a alma, a "vontade" das pessoas.

Baltasar Mateus, dispensado do exército por ter perdido a mão, usa ora um gancho, ora um espigão, e tem a alcunha de Sete-Sóis. Sua família reside em Mafra. Paralelamente à construção do convento, que simboliza tudo o que é pesado e doloroso para os homens, o romance narra a construção da "passarola", que é uma máquina voadora, idealizada pelo padre Bartolomeu Lourenço de Gusmão, apelidado de Voador. O padre, nascido no Brasil, é um sábio jesuíta, amigo do rei e também de Baltasar e Blimunda.
É de notar que existiram de fato o padre e sua "passarola", que na época não obteve sucesso e por causa da qual ele foi satirizado. De qualquer modo, ficcionalmente, no romance a "passarola"em oposição ao convento, simboliza a leveza, os sonhos, e a alegria. Para voar, o padre necessita dos poderes de Blimunda, para recolher em frascos a etérea expiração dos moribundos. Baltasar, Blimunda e padre Lourenço recebem a visita do músico Scarlatti, também personalidade histórica.
Estando, a certa altura, adiantado o trabalho da máquina, padre Lourenço utiliza-a para fugir da Inquisição. Voa, com Baltasar e Blimunda, na "passarola" até um lugar próximo de Mafra. Depois de pousar, o padre foge, já meio louco. Baltasar e Blimunda ocultam a "passarola"entre as folhagens. Ele emprega-se nas obras do convento, enquanto Blimunda trabalha nas tarefas domésticas na casa dos pais de Baltasar.
Tempos depois, vistoriando a máquina, Baltasar, por acidente, solta-a, sai voando e desaparece pelos ares. Blimunda, então, passa a procurar o amado até encontrá-lo, depois de dez anos, num auto-de-fé, em que estava sendo queimado pela Inquisição.
















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