Em 1994, um cartaz espalhado pelas ruas de Berlim ridicularizava a lealdade a estruturas que não eram mais capazes de conter as realidades do mundo: "Seu cristo é judeu. Seu carro é japonês. Sua pizza é italiana. Sua democracia, grega. Seu café, brasileiro. Seu feriado, turco. Seus algarismos, arábicos. Suas letras, latinas. Só o seu vizinho é estrangeiro" (ZYGMUNT, 2005, p. 33).
Civilização é barbárie - Renato Tapado
Não há a menor diferença entre a degeneração social atual e o cenário de horror e decadência de várias épocas da história. Num certo sentido – mas esse sentido é fundamental –, não houve degeneração nenhuma, pois as comunidades humanas sempre se pautaram pela violência, a intolerância e a má-fé. Jamais algum grupo humano dito “civilizado”, desde os primeiros textos que conhecemos, que datam de mais de três mil anos, até hoje, se orientou pela paz, pelo respeito à diferença e pela honestidade. O que estamos vivendo neste século XXI é a repetição, já desgastada de tão velha, do espírito que já animava as primeiras “civilizações” da região dos rios Tigre e Eufrates. Por isso, é demasiada pretensão alguém falar hoje em “progresso”, “melhoria”, “ética” ou qualquer outra ficção – que, aliás, são igualmente antigas, tanto quanto o descalabro da conduta humana. Os três pilares ideológicos mais importantes que sustentam as mentalidades ocidentais contemporâneas são religiões milenares: o cristianismo, o judaísmo e o islamismo. Essas três tradições sempre se basearam no segregacionismo, na violência contra o diferente, no conservadorismo mais pesado, na repressão, no estímulo à guerra. Isso, desde seu nascimento. O que se chama de “civilização ocidental” nada mais é do que o acúmulo de “barbárie” sobre “barbárie”, termo, aliás, inadequado, pois nunca houve a menor diferença entre os chamados “bárbaros” e os chamados “civilizados”.
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