MIA COUTO: A CONSTRUÇÃO DA IDENTIDADE LITERÁRIA E NACIONAL DE MOÇAMBIQUE
TERCEIRO ANO – TURMA OITO
INTRODUÇÃO
Este trabalho sobre a obra literária do escritor moçambicano Mia Couto apresentado pelos alunos do 3º ano turma oito da Escola Estadual Senador Petrônio Portella tem como objetivo propiciar aos discentes e à comunidade, em geral, a compreensão sobre a importância da cultura africana na construção da identidade brasileira, assim como atender a obrigatoriedade do ensino da temática “História e Cultura Afro-Brasileira”, na grade curricular do Ensino Médio. Além disso, visa divulgar a vida e a obra do escritor moçambicano Mia Couto e as Literaturas Africanas contemporâneas escritas em Língua Portuguesa.
Mia Couto (Antonio Emílio Leite Couto) nasceu em Beira, capital da Província de Sofala, à beira do Oceano Índico, no dia 5 de julho de 1955. Escritor internacionalmente conhecido, com trabalhos traduzidos e publicados em vários países. Além da obra ficcional, o autor publica ensaios, artigos e crônicas jornalísticas em torno dos mais variados assuntos. Neles, Couto discute as relações de poder no continente africano e as relações de cultura e política na sociedade contemporânea. Conhecido até então por seu trabalho como jornalista e poeta, o autor é considerado um dos mais influentes romancistas das literaturas africanas contemporâneas escritas em língua portuguesa.
Eis a produção literária desse autor que navega pelas águas da poesia, da crônica, dos textos de opinião, do conto e do romance. Além de Raiz de orvalho (1983), Raiz de orvalho e outros poemas (1999) Idades Cidades Divindades (2007) seus três livros de poemas, publicou quatro livros de crônicas, Cronicando (1998), O país do queixa andar (2003), Pensatempos: textos de opinião (2005) E se o Obama fosse africano? e outras interinvenções (2009), seis livros de contos: Vozes anoitecidas (1986), Cada homem é uma raça (1990), Estórias abensonhadas (1994), Contos do nascer da terra (1997), Na berma de nenhuma estrada (1999) e O fio das missangas (2003). Escreveu dez romances: Terra sonâmbula (1992), A varanda do frangipani (1996), Mar me quer (1998), Vinte e zinco (1999), O último voo do flamingo (2001), O gato e o escuro (2001), Um rio chamado tempo, uma casa chamada terra (2002), A chuva pasmada (2004), O outro pé da sereia (2006), Venenos de Deus, remédios do diabo (2008), Jesusalém (2009) que, na edição para o Brasil recebeu o título de Antes de nascer o mundo (2009) e A confissão da leoa (2012).
Mia Couto é considerado um dos mais premiados autores das literaturas africanas contemporâneas escritas em língua portuguesa. Em maio de 2013, ele recebeu o Prêmio Camões, o mais importante de língua portuguesa. Em outubro desse mesmo ano, o autor foi o vencedor do prêmio 2014 Neustadt International Prize for Literature, considerado o "Nobel americano". Com um total de 30 livros publicados, esse prêmio distingue toda a obra de Mia Couto ao longo da sua vida, incluindo os romances, as crônicas, os contos e a poesia. Sua prosa ficcional já foi traduzida para mais de 20 línguas. Terra Sonâmbula (1992), seu primeiro romance é considerado um dos dez melhores livros africanos do século XX.
Dentre as inúmeras obras escritas, desde o início da década de 80 do século XX, pelo jornalista, poeta, contista, cronista e romancista Mia Couto, selecionamos alguns livros, os quais serão apresentados ao público, através de resumos ilustrados, com suas respectivas capas.
Mia Couto (Antonio Emílio Leite Couto) nasceu em Beira, capital da Província de Sofala, à beira do Oceano Índico, no dia 5 de julho de 1955. Escritor internacionalmente conhecido, com trabalhos traduzidos e publicados em vários países. Além da obra ficcional, o autor publica ensaios, artigos e crônicas jornalísticas em torno dos mais variados assuntos. Neles, Couto discute as relações de poder no continente africano e as relações de cultura e política na sociedade contemporânea. Conhecido até então por seu trabalho como jornalista e poeta, o autor é considerado um dos mais influentes romancistas das literaturas africanas contemporâneas escritas em língua portuguesa.
Eis a produção literária desse autor que navega pelas águas da poesia, da crônica, dos textos de opinião, do conto e do romance. Além de Raiz de orvalho (1983), Raiz de orvalho e outros poemas (1999) Idades Cidades Divindades (2007) seus três livros de poemas, publicou quatro livros de crônicas, Cronicando (1998), O país do queixa andar (2003), Pensatempos: textos de opinião (2005) E se o Obama fosse africano? e outras interinvenções (2009), seis livros de contos: Vozes anoitecidas (1986), Cada homem é uma raça (1990), Estórias abensonhadas (1994), Contos do nascer da terra (1997), Na berma de nenhuma estrada (1999) e O fio das missangas (2003). Escreveu dez romances: Terra sonâmbula (1992), A varanda do frangipani (1996), Mar me quer (1998), Vinte e zinco (1999), O último voo do flamingo (2001), O gato e o escuro (2001), Um rio chamado tempo, uma casa chamada terra (2002), A chuva pasmada (2004), O outro pé da sereia (2006), Venenos de Deus, remédios do diabo (2008), Jesusalém (2009) que, na edição para o Brasil recebeu o título de Antes de nascer o mundo (2009) e A confissão da leoa (2012).
Mia Couto é considerado um dos mais premiados autores das literaturas africanas contemporâneas escritas em língua portuguesa. Em maio de 2013, ele recebeu o Prêmio Camões, o mais importante de língua portuguesa. Em outubro desse mesmo ano, o autor foi o vencedor do prêmio 2014 Neustadt International Prize for Literature, considerado o "Nobel americano". Com um total de 30 livros publicados, esse prêmio distingue toda a obra de Mia Couto ao longo da sua vida, incluindo os romances, as crônicas, os contos e a poesia. Sua prosa ficcional já foi traduzida para mais de 20 línguas. Terra Sonâmbula (1992), seu primeiro romance é considerado um dos dez melhores livros africanos do século XX.
Dentre as inúmeras obras escritas, desde o início da década de 80 do século XX, pelo jornalista, poeta, contista, cronista e romancista Mia Couto, selecionamos alguns livros, os quais serão apresentados ao público, através de resumos ilustrados, com suas respectivas capas.
Vozes anoitecidas (1986 - contos) esta obra publicada em 1986, projetou o escritor moçambicano Mia Couto para o mundo. Nessa obra, o autor lança as bases daquela que viria a ser uma das principais características de sua obra ficcional: a reconstrução de laços entre registro oral e escrito. Em doze pequenos contos, uma galeria de personagens esfarrapadas e alheias aos acontecimentos narrados, de seu ponto de vista marginal, histórias que flertam com o mágico e com o absurdo sem, no entanto, desviarem-se completamente do plano real.
Cada homem é uma raça (1990 - contos) reúne onze contos, m que os indivíduos são sempre objeto de fascínio e a descrição de suas vidas jamais traz qualquer julgamento. Com sua escrita poética inconfundível, que resulta num português com a melodia das línguas africanas, ele apresenta um rico universo de vivências de figuras moçambicanas. Se no conto “A Rosa Caramela” acompanhamos os dissabores de uma mulher corcunda que enlouqueceu depois de ter sido abandonada ao pé do altar, em “A princesa russa” a situação é de uma estrangeira que se vê num país desconhecido e com um marido hostil, e se alia a um de seus empregados nativos para sobreviver.
Terra sonâmbula (1992) é o primeiro romance de Mia Couto, publicado em Lisboa em 1992; alcançou grande repercussão de público e crítica. Um ônibus incendiado em uma estrada poeirenta serve de abrigo ao velho Tuahir e ao menino Muidinga, que fogem da guerra civil devastadora que grassa por toda parte em Moçambique. Como se sabe, depois de dez anos de guerra anticolonial (1964-1974), o país do sudeste africano viu-se às voltas com um longo e sangrento conflito interno que se estendeu de 1975 a 1992. O ônibus está cheio de corpos carbonizados. Mas também, há um outro corpo à beira da estrada, junto a uma mala que abriga os "cadernos de Kindzu", o longo diário do morto em questão. A partir daí, duas histórias são narradas paralelamente: a viagem de Tuahir e Muidinga, e, em flashback, o percurso de Kindzu em busca dos naparamas, guerreiros tradicionais, abençoados pelos feiticeiros, que são, aos olhos do garoto, a única esperança contra os senhores da guerra.
Estórias abensonhadas (1994 - contos) publicada em Lisboa em 1994, traz um prefácio em que o autor localiza os contos da coletânea no tempo pós-guerra, em que a esperança retorna à terra moçambicana. Depois de quase trinta anos de guerra, Moçambique vive agora um período de paz. Nestas Estórias abensonhadas, o premiado escritor Mia Couto capta um país em transição. Numa prosa poética e carregada das tradições orais africanas, o autor tece pequenas fábulas e registros que, sem irromper em grandes acontecimentos, capturam os movimentos íntimos dessa passagem. Aqui, fantasia e realidade se entrelaçam e se impõem uma à outra, como num reflexo do próprio continente africano. O rio que atravessa essas veredas é a prosa de Mia Couto, frequentemente, comparada à de Guimarães Rosa e Gabriel Garcia Márquez, sua escrita transforma o falar das ruas em poesia, e carrega de magia a dura realidade de seu país. Na Moçambique recriada literariamente por Mia Couto, cada porta entreaberta revela outra faceta de um mundo novo e vibrante, mas repleto de tradição e história.
A varanda do frangipani (1996 - romance) é uma narrativa policial, na qual o investigador Izidine Naíta busca desvendar um crime cometido num asilo de velhos; entretanto, a narrativa dá margem para que surja uma segunda história, metaforizada pelas estórias dos anciãos, que se constitui como um delito mais grave a ser reparado “O verdadeiro crime que está a ser cometido aqui é que estão a matar o antigamente...” (COUTO, 1996, p. 59). Refere-se à sabedoria dos ancestrais, extinguindo-se sob a égide da modernidade. história de A varanda do frangipani se passa vinte anos após a Independência, depois dos acordos de paz de 1992. O romance é narrado pelo carpinteiro Ermelindo Mucanga, que morreu às vésperas da Independência, quando trabalhava nas obras de restauração da Fortaleza de S. Nicolau, onde funciona um asilo para velhos. Ele é um "xipoco", um fantasma que vive numa cova sob a árvore de frangipani na varanda da fortaleza colonial. As autoridades do país querem transformar Mucanga em herói nacional, mas ele pretende, ao contrário, morrer definitivamente. Para tanto, precisa "remorrer". Então, seguindo conselho de seu pangolim (uma espécie de tamanduá africano), encarna no inspetor de polícia Izidine Naíta, que está a caminho da Fortaleza para investigar a morte do diretor. Mais de vinte anos depois da independência de Moçambique, quando a guerra civil já arrefeceu, a Fortaleza é um lugar em que convergem heranças, memórias e contradições de um país novo e, ao mesmo tempo, profundamente ligado às tradições e aos mitos ancestrais. Da sua varanda se pode enxergar o horizonte. O romance de Mia Couto esboça, assim, uma saída utópica para um país em reconstrução.
O último voo do flamingo (2000 – romance) foi lançado quando Moçambique comemorava 25 anos de independência de Portugal. Depois de um longo tempo de guerra civil, soldados das Nações Unidas estão em Moçambique para acompanhar o processo de paz. O romance narra estranhos acontecimentos de uma pequena vila imaginária, Tizangara, ao sul do país, onde militares da ONU começam a explodir subitamente. O autor elabora uma crítica ácida aos semeadores da guerra e da miséria, mas também uma história em que poesia e esperança dependem da capacidade narrativa de contar a própria história com vozes africanas autênticas. Só elas sabem que o voo do flamingo faz o sol voltar a brilhar depois de um período de trevas e opressão.
Um rio chamado tempo, uma casa chamada terra (2002 - romance) foi publicado em Lisboa, em 2002, apresenta a saga da família Malilanes ou Marianos, na qual o autor retrata as contradições entre as tradições arraigadas no território africano e a sua condição pós-colonial. O retorno da personagem Marianinho à Ilha de Luar-do-Chão é exatamente uma volta às suas origens. Ao chegar à ilha natal, tem como tarefa comandar as cerimônias fúnebres do seu avô, Dito Mariano - de quem recebeu o mesmo nome e de quem era o neto favorito -, ele se descobre um estranho tanto entre os de sua família quanto entre os de sua raça, pois na cidade adquiriu hábitos de um branco. Aos poucos, Marianinho percebe que voltou à ilha para um renascimento tanto pessoal como familiar. Uma série de intrigas e de segredos familiares envolvem o pai do protagonista, Fulano Malta, sua avó Dulcineusa, os tios Abstinêncio, Ultímio e Admirança, e também as nebulosas circunstâncias em torno da morte de sua mãe, Mariavilhosa. O rapaz descobre também que o falecimento do avô permanece estranhamente incompleto. Trata-se de um momento de passagem, crucial para o protagonista e para o seu lugar de origem. A Ilha de Luar-do-Chão encontra-se num estado de abandono, decadência e miséria. Trata-se também de um impasse cultural, religioso e político, que guarda correspondência com a situação social da África pós-colonial. Na enigmática Ilha de Luar-do-Chão, onde um rio Madzimi armazena a memória dos espíritos e a terra sofre com feitiços arcaicos e modernos, a tarefa de Marianinho é encontrar uma forma de levar adiante uma história que, além de pessoal e familiar, na África pós-colonial, é também política e de destino humano.
O fio das missangas (contos - 2003). "A missanga, todos a veem. Ninguém nota o fio que, em colar vistoso, vai compondo as missangas. Também assim é a voz do poeta: um fio de silêncio costurando o tempo." "A vida é um colar. Eu dou o fio, as mulheres dão as missangas. São sempre tantas as missangas." É assim que o donjuanesco personagem do conto "O fio e as missangas" define a sua existência. Fazendo jus a essa delicada metáfora, cada uma das 29 histórias aqui agrupadas, alia sua carga poética singular à forma abrangente do livro como um todo - vale dizer, ao colar em questão. Com um texto de intensidade ficcional e condensação formal raras na literatura contemporânea, Mia Couto demora-se em lirismos que a sua maestria de ourives da língua consegue extrair de uma escrita simples, calcada em grande parte na fala do homem da sua terra, Moçambique, um pouco à maneira de Guimarães Rosa, ídolo confesso do autor.
A brevidade das pequenas tramas e sua aparente desimportância épica estão focadas na contemplação de situações, de personagens, ou simples estados de espírito plenos de significados implícitos, procedimento típico da poesia. Os neologismos do autor, a que os leitores já se habituaram, para além de mera experimentação formalista revelam-se chaves fundamentais de interpretação da leitura.
Não por acaso, a maioria dos contos de O fio das missangas adentram com fina sensibilidade o universo feminino, dando voz e tessitura a almas condenadas à não-existência, ao esquecimento. Como objetos descartados, uma vez, esgotado seu valor de uso, as mulheres são aqui equiparadas ora a uma saia velha, ora a um cesto de comida, ora, justamente, a um fio de missangas.
A brevidade das pequenas tramas e sua aparente desimportância épica estão focadas na contemplação de situações, de personagens, ou simples estados de espírito plenos de significados implícitos, procedimento típico da poesia. Os neologismos do autor, a que os leitores já se habituaram, para além de mera experimentação formalista revelam-se chaves fundamentais de interpretação da leitura.
Não por acaso, a maioria dos contos de O fio das missangas adentram com fina sensibilidade o universo feminino, dando voz e tessitura a almas condenadas à não-existência, ao esquecimento. Como objetos descartados, uma vez, esgotado seu valor de uso, as mulheres são aqui equiparadas ora a uma saia velha, ora a um cesto de comida, ora, justamente, a um fio de missangas.
O outro pé da sereia (2006 - romance) nesta obra, Mia Couto realiza retrato poético, alegórico e crítico de Moçambique contemporâneo, a imagem de uma santa católica que encanta e perturba todos que dela se aproximam é o centro de uma trama dividida em dois momentos históricos, ligados por questões étnicas, religiosas e de destino familiar. Em 2002, dez anos depois do Acordo de Paz entre governo e as forças rebeldes, Moçambique é um país em recuperação. Um pastor e sua mulher, Mwadia Malunga, encontram uma imagem de Nossa Senhora nas margens de um rio da pequena localidade de Antigamente. O curandeiro do lugar diz que eles conspurcaram o espírito do rio e correm grande perigo. Mwadia decide então voltar a Vila Longe, onde deixara a família, para abrigar a estátua. Curiosamente, esta é a estátua que segue, em 1560, com o jesuíta Gonçalo da Silveira, ao partir de Goa, na Índia, para converter ao cristianismo o imperador do Reino do Ouro, ou Monomotapa, situado na região fronteiriça entre os atuais Zimbábue e Moçambique. A imagem de Nossa Senhora é chamada pelos escravos da nau portuguesa de Kianda, uma divindade das águas; e os africanos a tratam por Nzuzu, rainha das águas doces. De volta ao século XXI, a pequena Vila Longe agora se articula para receber a visita de um casal de antropólogos americanos, revelando personagens exemplares e muito divertidas do cotidiano moçambicano - e do universo literário de Mia Couto. As relações de sincretismo religioso e o choque cultural entre portugueses, indianos e africanos estão presentes o tempo todo na narrativa, e os estrangeiros completam o caldeirão cultural e religioso do local, num retrato ao mesmo tempo cômico e desolador do mundo globalizado.
Venenos de Deus, remédios do Diabo (2008 - romance) narra a história de Bartolomeu Sozinho que é um velho mecânico naval moçambicano, aposentado do trabalho, mas não dos sonhos ardentes e dos pesadelos ressentidos que elabora em seu escuro quarto de doente terminal. Ele é atendido em domicílio por Sidónio Rosa, médico português. A narrativa entrelaça a vida de Bartolomeu, de sua rancorosa mulher, Munda, da ausente e quase mitológica Deolinda, filha do casal, do dedicado Doutor "Sidonho", bem como de Suacelência, o suarento e corrupto administrador de Vila Cacimba, um lugarejo imerso em poeira e cacimbos (neblinas) enganadores. São vidas feitas de mentiras e ilusões que tornam difícil diferenciar o sonho da realidade. Aparentemente, Sidónio veio de Lisboa para curar a vila de uma epidemia. Mas é o amor pela desaparecida Deolinda, por quem se apaixonara em Lisboa, que impulsiona seus passos mais íntimos. Quando Deolinda voltou para sua terra natal, Sidónio viu-se teleguiado pelo sonho de reencontrá-la. Mas Vila Cacimba não é o lugar do médico, nem poderá ser jamais.
Em Portugal, Moçambique e Angola o livro recebeu o título de Jesusalém, já na edição brasileira foi publicado com o título de Antes de nascer o mundo (2009). Jesusalém é um lugar ermo encravado na savana, em Moçambique, abriga cinco almas apartadas das gentes e cidades do mundo. Ali, ensaiam um arremedo de vida: Silvestre e seus dois filhos, Mwanito e Ntunzi, mais o Tio Aproximado e o serviçal Zacaria. O passado para eles é pura negação recortada em torno da figura da mãe morta em circunstâncias misteriosas. E o futuro se afigura inexistente. Silvestre afiança aos filhos e ao criado que o mundo acabou e que a mulher - qualquer mulher - é a desgraça dos homens. Mas um belo dia os donos do mundo voltarão para reivindicar a terra de Jesusalém. E não só isso: uma bela mulher também virá para agitar a inércia dos dias solitários daqueles homens. Mia Couto é um dos maiores expoentes da literatura africana de expressão portuguesa. Moçambicano e amante confesso da escrita inventiva do brasileiro Guimarães Rosa, ele é um artista investido do poder mágico e poético das palavras. Mas é da alma do povo de seu país, bela, trágica, alegre, sofrida, enigmática, que este poeta da prosa extrai seu ouro universal.
A confissão da leoa (2012 - romance) esta obra narra a história de uma aldeia moçambicana que é alvo de ataques mortais de leões provenientes da savana. O alarme chega à capital do país e um experimentado caçador, Arcanjo Baleiro, é enviado à região. Chegando lá, porém, ele se vê emaranhado numa teia de relações complexas e enigmáticas, em que os fatos, as lendas e os mitos se misturam. Uma habitante da aldeia, Mariamar, em permanente desacordo com a família e os vizinhos, tem suas próprias teorias sobre a origem e a natureza dos ataques das feras. A irmã dela, Silência, foi a vítima mais recente. O livro é narrado alternadamente pelos dois, Arcanjo Baleiro e Mariamar, sempre em primeira pessoa. Ao longo das páginas, o leitor fica sabendo que eles já tiveram um primeiro encontro muitos anos atrás, quando Mariamar era adolescente e o caçador visitou a aldeia. O confronto com as feras leva os personagens a um enfrentamento consigo mesmos, com seus fantasmas e culpas. A situação de crise põe a nu as contradições da comunidade, suas relações de poder, bem como a força, por vezes libertadora, por vezes opressiva, de suas tradições e mitos.
Com base na leitura dos resumos de algumas obras de Mia Couto, selecionadas por nós, depreende-se que a literatura do referido autor volta-se, para o passado colonial e pós-colonial moçambicano na tentativa de resgatar a “identidade negada e o rosto desfigurado do povo africano” por cinco séculos de colonização europeia. Mia Couto tece história, mito e ficção na construção de sua prosa ficcional. Assim, as personagens criadas por ele, sua literatura, e a de Moçambique são projetadas, para além das fronteiras do continente africano.
A confissão da leoa (2012 - romance) esta obra narra a história de uma aldeia moçambicana que é alvo de ataques mortais de leões provenientes da savana. O alarme chega à capital do país e um experimentado caçador, Arcanjo Baleiro, é enviado à região. Chegando lá, porém, ele se vê emaranhado numa teia de relações complexas e enigmáticas, em que os fatos, as lendas e os mitos se misturam. Uma habitante da aldeia, Mariamar, em permanente desacordo com a família e os vizinhos, tem suas próprias teorias sobre a origem e a natureza dos ataques das feras. A irmã dela, Silência, foi a vítima mais recente. O livro é narrado alternadamente pelos dois, Arcanjo Baleiro e Mariamar, sempre em primeira pessoa. Ao longo das páginas, o leitor fica sabendo que eles já tiveram um primeiro encontro muitos anos atrás, quando Mariamar era adolescente e o caçador visitou a aldeia. O confronto com as feras leva os personagens a um enfrentamento consigo mesmos, com seus fantasmas e culpas. A situação de crise põe a nu as contradições da comunidade, suas relações de poder, bem como a força, por vezes libertadora, por vezes opressiva, de suas tradições e mitos.
Com base na leitura dos resumos de algumas obras de Mia Couto, selecionadas por nós, depreende-se que a literatura do referido autor volta-se, para o passado colonial e pós-colonial moçambicano na tentativa de resgatar a “identidade negada e o rosto desfigurado do povo africano” por cinco séculos de colonização europeia. Mia Couto tece história, mito e ficção na construção de sua prosa ficcional. Assim, as personagens criadas por ele, sua literatura, e a de Moçambique são projetadas, para além das fronteiras do continente africano.
REFERÊNCIAS
COUTO, Mia. Vozes anoitecidas. Lisboa; Caminho, 1986.
__________. Cada homem é uma raça. Lisboa: Caminho, 1990
__________. Terra sonâmbula. Lisboa: Caminho, 1992.
__________. Estórias abensonhadas. Lisboa: Caminho, 1994.
__________. A varanda do frangipani. Lisboa: Caminho, 1996.
__________. Um rio chamado tempo, uma casa chamada terra. Lisboa: Caminho, 2002.
__________. O ultimo voo do flamingo. Lisboa: Caminho, 2000.
__________. O outro pé da sereia. Lisboa: Caminho, 2006.
__________. Venenos de Deus, remédio do Diabo. São Paulo: Companhia das Letras, 2008.
__________. A confissão da leoa. São Paulo: Companhia das Letras, 2012.
__________. Cada homem é uma raça. Lisboa: Caminho, 1990
__________. Terra sonâmbula. Lisboa: Caminho, 1992.
__________. Estórias abensonhadas. Lisboa: Caminho, 1994.
__________. A varanda do frangipani. Lisboa: Caminho, 1996.
__________. Um rio chamado tempo, uma casa chamada terra. Lisboa: Caminho, 2002.
__________. O ultimo voo do flamingo. Lisboa: Caminho, 2000.
__________. O outro pé da sereia. Lisboa: Caminho, 2006.
__________. Venenos de Deus, remédio do Diabo. São Paulo: Companhia das Letras, 2008.
__________. A confissão da leoa. São Paulo: Companhia das Letras, 2012.
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